No passo pela casa com jardim deitado em grama
e florezinhas em vasos na varanda
meu corpo no olho
planta no cérebro o sonho em vigília
projetando a casa em sonho de vodka
um sonho de valsa no piano de Chopin
Imagino a casa com uma amada vodka
lá dentro aquecendo a lareira
esperando num vestido em flor de noiva de Chagall na garrafa
bela e sábia como a Vitória Alada de Samotrácia
descendo a escadaria do Louvre em Paris
para ir até a catedral de Notredame
abrindo a boca de sono em gárgulas
em gárgulas bocejantes
Mas sei que essa realidade da casa
cuja soleira jamais atravessei
somente existe porque o sonho da vodkda
é o arquiteto da casa
e minha amada vodka
não deixa eu pisar uma florada de tempo sequer
no espinho da realidade
pois ela cuida de mim
como a mãe do filho menino
o pai da filha menina
meninos a vida inteira!
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