sábado, 18 de outubro de 2008

RELIGIÃO DA VODKA:ottogribel.blogspot.com

vodka é uma religião nos países com inverno rigoroso; mesmo em países riscados pelo Trópico de Capricórnio, a água benigna já tem adeptos fervorosos.
Por se tratar de uma bebida do espírito, ou para o espírito, a vodka é pura, absoluta religião, cujos sacerdotes são são homens e mulheres corajosos,
destemidos.
Essa bebida espiritual tem sua igreja, seus fiéis, seus crentes, seus santos, anjos, ritos, mitos, teóricos, profetas, poetas , artistas, cientistas, etc.
As outras religiões, que têm como culto divindades mais abstratas que as que a vodka opera no corpo, queimam em seus tribunais de inquisição, de forma metafórica, bons e maus bebedores, indistintamente, como se a virtude não contasse, não fosse o apanágio homem.
Aliás, o Tribunal Simbólico da Inquisição, continua seu santo ofício, embora apenas no teatro, de forma ficta (graças a Deus!), mas ainda assim queima com palavras as bruxas modernas : os degustadores de bebidas alcoólicas, os homossexuais, as prostitutas, os tabagistas, enfim, a todo ser humano que ousa ser livre e escolha seu caminho e religião.Há uma campanha brutal contra a deusa dos cereais (Ceres), contra Vênus, contra a Paixão de Eros e contra a indústria ou a igreja que distribui as filhas dos deuses : a vodka, bem como outras bebidas com teor alcoólico.
Esse medo de si mesmos espelhado como alcoolismo dos outros, nada é mais que histeria, medo de viver como homem ou mulher, pavor infantil de abandonar a ficção e viver a realidade, que é sempre dura, cruel, imprevisível. Os fanáticos querem viver dentro de um mundo cercado por vidros blindados como se a vida fosse eterna, conforme ensina a religião de interesses dos seus sacerdotes (seus donos e do deus de determinadas igrejas ou do Cristo que ali inventam).Embriaguês absoluta, cegueria total, passos trôpegos de bêbados, hipocrisia e mentira, isso é o que eles são ou representam nos seus dramas do medo : isso é o que Jesus mais odiava.
Esquecem que Jesus bebia vinho (na terra dele não consta que havia vodka!); Jesus amava beber, até o ponto de afirmar que o chamavam de "beberrão" e "comilão", consoante os Evangelhos canônicos.
Outrossim, não se lembram ( ou não conseguem perceber) que Jesus odiava a Igreja; sim, a igreja da época, que era representada por fariseus e saduceus, bem como escribas ( "ai de vós, escribas e fariseus hipócritas!..." invectivava; aliás, como João Batista : "...raça de víboras!") .Jesus não parece citar os saduceus, mas eram eles os sumos sacerdotes do templo ; logo, a cabeça da religião daquele tempo.
Sem embargo, a igreja odiada por Jesus naquele tempo é a mesma de hoje, que somente tomou o nome dele depois que o mataram; ou seja, legitimaram o crime colocando o nome de Jesus como cabeça da Igreja; mas tudo continuou no mesmo tom : a mesma hipocrisia, os mesmos ritos vãos, o mesmo pensamento inflexível contra o ser humano (que Jesus tanto amou enquanto indivíduo! : essa quiça seja a maior beleza do expressa pelo "nazareno"). A lei de Moisés se transformou em lei do amor, mas tudo apenas no lugar onde se projetou a cidade de Utopia, que nunca saiu do papel, nem sairá, por inviável à natureza da deusa que rege o cérebro em comportamento:
a Psiquê. "Tudo como antes no quartel de Abrante", diria minha mãe.
Na religião de Jesus as prostitutas poderiam ser sacerdotisas, desde que se arrependessem, ou seja, todo e qualquer ser humano poderia ser perdoado, desde que desejasse o perdão, demonstrando isso com a mudança do comportamento.Porém os hipócritas, que são os que fizeram a meretriz, esses,que se fingem santos, mas furtam a viúva e ao pobre, esses hipócritas, falsos profetas, santarões, jamais teriam o perdão de Deus, porquanto não se arrependem nunca do que fazem; não têm enm mesmo consciência do que fazem : ..."Perdoai-lhes, ó pai, porque não sabem o que fazem", não é para os hipócritas, mas para os cegos obedientes ao império das trevas que sempre domina sob a luz do sol.
A religião da vodka, como no Egito, aceita todo tipo de sacerdotes : vestais, prostitutas (na Babilônia a prostituição era sagrada; na realidade, a prostituta é sagrada, é a mulher livre, que tem coragem de dispor de si para si mesma, de seu corpo, seus atos, arrostando os preconceitos, os riscos da empreitada, etc).
A vodka é uma religião sem preconceitos, ela aquece o coração, prega o amor, promove a união, pois a reunião de muitas pessoas somente é bem sucedida quando regada a bebeida alcoólica.
Jesus pregou uma religião na qual adorar para adorar a Deus não era necessário nem monte nem templo, apenas amor, que é sinceridade, liberdade e sabedoria a um só tempo (Deus está no meio do amor) .
Parece que Jesus ensinou a religião pela voz da vodka no povo.

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