O violinista azul dormia
coberto pelo calor da vodka
quando a amada branca
cor-de-vodka
abriu o céu da sua aldeia
por dentro do trinco do sonho
e desceu nas próprias tranças negras
até a adormecida aldeia
(ela veio pela "tereza" dos condenados!
que é a trança de Rapunzel das crianças)
Ela veio com a beleza escorrendo pelos cabelos
com olhos faiscantes de amor e vodka
e convidou o violinista
a fugir da aldeia
onde o rastro dele não marcara ainda
a ampulheta do chão
a ampulheta no areal solto
Há tanto tempo que ervas cheiravam o chão
como mastins ou sabujos
faziam o caminho sem terra
sem escabelo de ampulheta para os pés
e a pedra era
pura clepsidra espargida
pura água para roduzir vodka
guardadas como rebanho de águas nos currais das flores
dentro do templo dos cereais
onde vinha orar o sol
Então o violinista foi com ela
arrastado pelos olhos dela
Lá foi ele em lá maior
o violino em lá menor
pelas veredas verdes
domínios do violinista verde de Chagall
Lá se foi para sempre o violinista azul
sem violino e vodka
sem eira nem beira
Encontrou a casa da amada em festa de vestal
À mesa convivas com roupas exóticas
esperavam que Chagall trouxesse a noiva pela mão
que seria dada ao violinista azul em casamento
quando todos estivessem flutuando na vodka das bodas
Mas de chofre o sonho se fechou
pendido o anjo que o guardava
e como se tivessem furado a ampulheta do tempo
as areias se espalharam pelo solo
sem mais mensurar o tempo
que se perdeu entre dedos
e o sonho fugiu no meio da noite
na meia-noite sem alma
A noiva toda branca de vodka
esvaiu-se como o fantasma da madrugada
que errava pelas ruas
da aldeia abandonada na imaginação
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