quinta-feira, 23 de junho de 2011

VERBETES (wikcionario wiki dicionario etimologico etimologia infopedia)

A atual tolerância com aleijados ( ou mais brando; " deficientes
físicos" ), ainda há pouco, meados do século passado, denominados, não
sei se de maneira ou com conotação assaz pejorativa, de inválidos os
"inválidos" suscitados pelo imaginário da época, que os vestia assim,
mas que , atualmente, ou atuando nas cenas do novo teatro montado pela
cultura, continuam identificados com outros apodos; a saber :
"pacientes", doentes, enfermiços, alcoólatras, homossexual, enfim, os
eufemismo grassam como se fora peste endêmica, típica do país pudico,
que na realidade é impudico ou, antes, indecente, eivado de uma
pudicícia injustificável ante a imoralidade, amoralidade e outras
aberrações morais e incompatíveis com a atitude ou a farsa truanesca de uma
suposta donzela pudibunda ou mancebo que leve a sério tal pudor
representado ), homossexuais, mendigos e outras "minorias" não é
virtude alguma, mas está calcado no interesse, o móvel é o interesse
da "coletividade" ( sendo essa suposta "coletividadade ou "guildas ,
no sentido medieval, corporações postadas para bem além do bem e do
mal, ao menos no fervor doutrinário pingue em uma maniquéia legal,
aonde o "locus" do bem ( e não do estudo, que o estudo é uma farsa
grotesca no caso e conforme os mandatários do país apresentado como
objeto de ciência, quando há alguma ciência em foco) , enquanto
objeto conciso posto na qualidade de ser ou essência, ou área de
estudo, ao postular o pensamento, no local ou área estudada ( "locus",
tópico) fato que alguns debilóides ainda não lograram ler no texto da
cultura por causa do analfabetismo congênico ou funcional, eo peso do
costume, que verga o pensamento, falseando o maniqueísmo, porquanto
cultura e analfabetismo "tópico" ( no "locus" ou "in loco", no estado
sob julgamento científico, "sub judice" intelectual, não normativo, ou
despótico, que é o que sói acontecer com a "ciência oficial ou de
governo", pensamento de sátrapa e caudilho, com assepsia de uma
mínima perspectiva filosofante, pois ciência sem essa perspectiva da
filosofia é mera informação ou comando doutrinário, norma camuflada,
exercido por "doutos" sob o movimento do desenho na pantomima do cetro
real, a batuta da orquestra dos espíritos subservientes ).
A cultura e o analfabetismo, alocados numa maniquéia desfocada, são
interfaces ou facetas laterais do Narciso aviltado por aberração
étnica, ( antigamente “racial” ou raça, cujo teor apelativo e
pejorativo obscurecia o discurso) , que produz, no caudal cultural e
atávico , o pernóstico, um lamentável atavismo ( estas últimas
palavras, outrossim, estão no
índex dos puritanos em disfunção ).
Estes os desdobramentos noéticos, que influem na corrente do ético, da
maniquéia., sendo que a própria maniquéia não é um maquinário ético ;
aliás, nada o é, pois o ético está radicado no comportamento , sendo
este comandado por instintos entremeados à racionalidade, no homem,
porém somente passível de estudo no campo da noética, que narra ou
abstrai da história anterior à história, que é a escrita do que já é
fato, quando antes de escrita não é a história, mas natureza emergente
no ato, indo ao encontro do fato, que é o ato pretérito descrito,
narrado ou dissecado na análise crítica ou assertiva posta em forma
literária de dissertação com fulcro no ato passado, então fato
escriturável, histórico, historial, historiografado em moldes
científicos ou dando ênfase a um enfoque “conjectural-científico” (
conjectura?) , isento ou imune às críticas dos não iniciados, tratados
como bastardos ou ilegítimos no processo cognitivo, que elege seus
“cognitores” e põe outros no ostracismo ou no ridículo. A história é
a escrita do passado, do que não age mais, senão enquanto fato
escrito, grafado.
Os déspotas no poder aviltam o povo, controlam o povo como crianças
tuteladas, agem qual o tutor do menor e, destarte, são um óbice para
que a nação tenha um governo, porquanto o despotismo não é governo,
mas pré-governo, é a forma "desgovernada" que se seque á ditadura ou
tirania, cada um com seu matiz, distintos por sutilezas que vão ao
paradoxo de sorites.
A ditadura, obviamente, é o governos dos
malevolentes, dos ignorantes, dos estúpidos, dos arrivistas,
aventureiros que se fingem imbuídos de bons sentimentos : o governo do
homem, que, sem digressões, é a submissão na peleja, do homem sob o
homem ou de um homem sobre outro homem, do submisso e do que submete
outrem à força, essa "governança" na abastança é a loucura ou
estultícia de Erasmo
o de Roterdan exercendo o poder, que é sempre absoluto, um
absolutismo asqueroso e insidioso, aleivoso, pérfido, porquanto é a
aleivosia, a perfída que confeccional a máscara dos déspotas, sejam
monarcas ou oligarcas.
Não há governabilidade sem submissão clássica, tão antiga quanto a
face dos seixos no álveo do rio ; por isso, os bons governos ( esse
"mal necessário do século",
para evocar um livro do poeta Alfred de Musset, do romantismo francês,
um lírico idílico, como sói a qualquer governo no sua locução, mas não
nos atos do teatro político, sempre salpicado de segredos e crimes
enterrados sob o "espírito das leis", no canto do filósofo sábio, que
não encontrou ressonância de sua sabedoria nas coortes).
A tirania é o governo da prevaricação, de todas as formas de corrupção.
É a forma de governo incipiente, a qual se centra num pólo negativo do
maniqueísmo, mas se põe a escrever nas leis a apologia mendaz do pólo
antitético.
Esse "governo" em vórtice ronda a democracia em vários momentos de
tensão exacerbada e está sempre em colônia nos cartéis, corporações (
é o espírito do corporativismo, parasita a alma dos papalvos, dos
energúmenos, dos mentecaptos, derrocadas sob seus monopólios, graças
ao espírito do paradoxo que anima a sabedoria ou conhecimento por
signos, símbolos e sinais naturais ) e vige, outrossim, sob a forma da
oligarquia, um despotismo do dinheiro, onde o governo ou a
governabilidade irrisória cessa abruptamente quando esse senhor
mefistofélico, porém, ao mesmo tempo feérico, deslumbrante, entra em
cena, no Fausto do Goethe, quando encenado socialmente, no amplo
anfiteatro da política, sob os auspícios de Maquiavel, pensador
político italiano; aliás, o único realista em política ou o que chamam
hoje de geopolítica , seu padroeiro, santo dos astutos, do orador
assaz sagaz e, contudo, para além do espírito de Maquiavel e do
príncipe, se se pode transcender tal sabedoria de convívio, um
sociologismo sensato, assisado, conciso e com siso ; e mais : do
maquiavelismo escuso que move a política, a geopolítica intensa, cheia
de ardis sutis, fonte de interesses e egoísmo mórbido, insalubre,
nefasto, a temperar o apetite de algum falastrão ou canastrão a
dramatizar , enquanto protagonista, um déspota no poder. No poder
todos são déspotas, não importa o regime ou a dieta.
A morbidez hospedeira nessas almas é uma peste endêmica e epidêmica,
uma peste negra, responsável pela morte de muitos homens nos campos de
batalhas, nos vários "fronts" corriqueiros, não iluminados pela
luciferação dos filósofos e dos "pirilampos" errabundo em céu noturno,
outros lumiares além dos luares.
O maquiavelismo e a teodicéia são "locus" ou
áreas de conhecimento colonizadas pelo maniqueísmo clássico, que
arremete qual um aríete, na teontologia ou onto-teologia, aplicação
sintética da maniquéia, essa máquina de pensar, sobre o ser e o ser
supremo.
A"coletividade" nada mais é que alguns comandantes ou ditos
formadores de opinião ( as oligarquias ativas, dinâmicas, a subsistir
às tiranias infindáveis ), ou seja, em clareza meridiana : os
mandatários e os donos dos mandatários, que é este mundo o mundo sob
a batuta do maestro "dinheiro" ( economia, finanças são alguns
eufemismos para "calar" o tilintar das moedas em profusão em vida de
poltrão ).
Na "coletividade" há o "acervo" dos exlcuídos do convívio social pela
lei ( "dura lex, sed lex" ) dos poderosos senhores do planeta Terra :
os prisioneiros, loucos, vagabundos, insurretos, enfim, uma coleção ou
coletivo para Goya ou Brueguel por em crônica perene; retrato de época
antes da filmoteca. Os prisioneiros, alijados da vida social, são os
novos escravos sociais, porquanto perdem, ao perpetrar um crime, todos
os seus direitos de cidadão e é tratado como escravo, abaixo mesmo do
animais, conquanto a maniquéia para isso sussurre docemente "Direitos
Humanos"a fim de desviar o foco para um pólo que não há, revirando a
seu alvedrio os olhos dos tontos, que são muitos com boa formação para
a conveniência da cegueira ou a leniência morosa, a lenidade em
cristal, dócil ao tempo geológico, e do leniente cristão devoto com
ex-votos à mancheias, num exibicionismo torpe, banal, maquinal.
Os excluídos pela maniquéia do poder, que faz funcionar a máquina de
pensar dogmaticamente sob um maniqueísmo raso, ralo, incipiente e
amoral, dista as polaridades maniqueístas em duas frentes : uma para a
prática do discurso,onde polariza todo o bem imaginário, idílico,
utópica, abstrato, ilusório; enfim, o tecido do eu de Maia para
ocultar a face de Maria, a bela “Virgem das Rochas”, de rosto
perfeito, extrapolando o postulado extraído do paradoxo para o
perfeccionista cuja candidez beira à “alvatura do círculo” e não à
quadratura ; os alijados de todos os Direitos mínimos ( até para o
Direitos dos animais ) pensam, no interegno ou lapso de tempo que
apodrecem no cárcere, nos ergástulos ou porões da lei, que ali,
naquelas masmorras, naquelas galés, vige a lei do maligno, o
cramulhão, o capiroto, enfim, as personagens em vocábulos de João
Guimarães Rosa, figuras da geometria psico-social originárias das
lendas cujo “arrasto” vem da tradição oral, da oralidade, são tão
populares e em convivência diária conosco, quanto os caracteres postos
na comédia de arte italiana, personalidades essas onipresentes na vida
cotidiana, tanto nas camadas populares, no populacho, quanto na escol,
nas elites que comandam o circo canhestro com veemência e impiedade.
Alvíssaras!
O dinheiro ou a economia política, como gostava Marx de pensar, é,
efetivamente, o primeiro poder, quiçá o único, onipresente, onisciente
e onipotente, abaixo de um deus folclórico ou lendário ou mitológico,
consoante o rito a aplicar aos "mistérios de Elêusis" ou eleusianos,
os quais mistérios deixam alguns embevecidos. Outro poder ( se existem
três poderes, essa tríade é para servir aos poderes maiores, que a
trindade aqui é poder menor, majoritário apenas em voto para o
executivo, que fazem os outros três orquinhos, bailarem de nédios e
luzídos. Um " porco pingue da vara de Epicuro", no dizer de Erasmo de
Roterdão). De lembrar que vara é coletivo de porco.
Aliás, o maniqueísmo, é meramente o interesse na sua forma poética,
utópica, idílica, romântica, filosóficos, ou seja, os interesses
enfeitados como uma bela mulher cheia de adereços, adornos e gemas preciosas
valiosas, presentes ou brindes de homens abastados, aptos a comprar
mulheres no mercado negro ou outro buraco negro que a sociedade abre
nas brechas da lei, nos gargalos para nababos. A mulher quase sempre é
venal, porquanto a sociedade a põe como mercadoria para escambo e não
troca. Ela, inconscientemente, é uma espécie de pitonisa, sacerdotisa
ou prostituta sagrada, representando ritualisticamente um drama , que
termina em tragédia, o qual é uma reminiscência do comérico de
escravos e do escambo. Vivo em seu genoma ou em todo o seu corpo, por
onde flui o sangue feminino, desde priscas eras, ó sibila Prisca!
O interesse é a maniquéia da realidade social, não da idealidade. A
idealidade encontra seu pólo-maniqueu no conhecimento, enquanto a
realidade o acha na sabedoria, sempre silvestre, de bom alvitre no
bote da víbora do Gabão, bufadora, de Ruswel. De quem seria a
víbora?!
O tempo é um tecido ( história, tecitura, trama e drama ) do homem,
mas do homem no poder, com o qual se veste e veste os demais, com
vestes talares ou roupas para penitentes, frades, mendigos, pois a
veste diz da túnica que veste o home por dentro, enquanto indivíduo e
por fora, enquanto ser social ou "animal político". ( Não sei se a
palavra “indivíduo” no duo final, exprime alguma dualidade, abordada,
quiçá, por Freud no ego e superego, conforme o jargão psicanalítico ou
da psicanálise.
Cada tempo é fabricado na indústria têxtil da história dos mandatários e vige
consoante os interesses do grupo no comando do mundo ou tempo, que o
mundo do homem é mais tempo que espaço, basta ler os retratos ou as
pinturas a óleos desde Jan Van Eyk ( no claro-escuro do artista pode
se ler toda a maniquéia presente nos desnhos e coloração : toda a base
do pensar tem seu alicerce no maniqueísmo, assim também o tempo e a
eternidade não refogem ou vem refutar a maniquéia óbvia, uma obviedade
peremptória ) , o qual enceta a escola flamenga.
O tempo é um artefato humano, meramente humano, se é que algo é
"humano" no sentido humanístico ou do humanismo, uma doutrina que traz
em sue bojo uma veemente utopia, uma grão de mostarda de idílio,
porquanto toda obra proveniente do conhecimento humano é unilateral,
oposta ao maniqueísmo em sua essência individual e solitário, pois o
maniqueísmo ou a maniquéia é uma maquina que somente funciona
socialmente; cumpre função política, está entre o crime e tudo aquilo
o aquele (a) que concebido (a) sem pecado.
O tempo, não existe, senão enquanto instância da temporalidade, um
fenômeno "humanóide", em sentido metaforizado para significar o que
ainda não e significado; o temo não é conhecido em natureza vital, não
tem posse de alma natural, não é em si; aliás, nada, pois nada é em
si, mas no ser ou pensamento do homem; logo, em concomitância, uma vez
que o tempo é tão-somente um ser ou essência do homem, uma instância
do homem ( não há "coisa ou ser em si") , um ser oriundo de suas
elucubrações mentais, com origem em seu estro, algo que não é nada (
que é nada? Há um ser para o homem cognominado de "nada", a essência
do niilismo em evidência , uma rapsódia filosófica do homem pra um
ser, que é um não-ser paradoxal, um ser em nada : o zero ou ente
matemático-filosófico, algo lógico, metafísico, que só existe assim,
enquanto é sempre em pensamento; o pensamento que é uma instância do
ser ou essência das coisas e entes, mas não da existência ou realidade
desses entes expropriados no fenômeno, parte ou receptáculo do mundo
na sensibilidade do homem e animal em vida ); um nada, enfim,
retirado ou posto pelo pensamento com a nadidade ( o nada dada à mente
pensante ou ociosa, de um ócio elementar ) , pela filosofia enquanto
gnoseologia, ontologia, noética, etc., e as demais ciências que não
são filosóficas, mas técnicas para gerir os artefatos e o gentio.
O tempo do homem, nunca apolar, isola, em cada época, uma maniquéia
como bem e reserva outras para mal, consoante os interesses mesquinhos
e meticulosos dos senhores no poder, sempre feudais, sempre sob a
maniquéia do feudalismo em desenhos inovadores, novo, inovador
"design" na medida mediana e medianeira e na proporção sintática e
semântica ( é, outrossim, um semantema! ) da geometria do tempo. Toda
ciência ou consciência é de época ; a vestal é mito para se ler em
escrita “cuneiforme”, ou seja, ler sem inteligência, em menoscabo ao
contexto inter-conectado no texto. Ao texto em “simbiose” com o
contexto.
Seria o homem um animal decimal? Ou um ser fincado na maniquéia, moto
contínuo de seu pensamento, no paradoxo do moto contínuo, o qual não
existe em natureza ou realidade, mas sim num diagrama humano. E a
maniquéia uma máquina azeitada para atender o surto de interesse de
época, que modifica suas polaridades, conforme as necessidades do
padrão vigente na lei que zela pelo princípio do interesse, princípio
magno da sem-razão, que não ofende o irracionalismo nietzschiano, o
materialismo de Marx, Engels , e outros mentores e disseminadores do
materialismo dialético, tão amado pelos iconoclastas quanto detestado
pelos seus detratores, os sacerdotes idólatras, nem tampouco o
niilismo de Jesus, um niilista de um radicalismo profundo, o qual a
igreja abomina, opera na doutrina por meio de distorções textuais e
contextuais, ortodoxa que é , fundada na austeridade de uma ortodoxia
paradigmática , incapaz de propugnar um ideário teorético discrepante
aos interesses dos senhores no poder de época ; portanto, não
propugna, nem tem a presunção de propugnar premissas ou silogismos que
objetivem instigar amotinamento, motim, levar à insurreição, ao
levante, ou todo e qualquer ato ou fato que possa vir a provocar o
descalabro, a derrocada do “status quo”, vigente há século, antes nos
costumes, hoje na força da lei que cala o desordeiro, o adversário a
vencer na outra ponta do maniqueísmo : débil êmulo, que os próprios
senhores instigam a se comportar do lado “negro” da lei : no mercado
negro, câmbio negro, na calda da noite negra ainda freqüentada por
Íncubos e Súcubos, sob outra terminologia cujo escopo é elencar ou
arrolar um glossário com neologismos aptos a fundar verbetes para
novas maniquéias , inovadoras somente nas palavras, não na idéia
nuclear do maniqueísmo, cujo estratagema sempre foi o de infundir
pavor na ralé, manter o povo sob um terror diuturno , de forma a
escrever seus códices, não apenas nos alfarrábios, mas também no
coração da plebe lastimosa, nos quais desenrolam os dramas e as
tragédias e as comédias, cujas personagens são estes debilitados
opoentes expulsos para o mercado negro com seus guetos amarrados nos
símbolos que grafam na forma dúplice da palavra e do desenho
geométrico que mensura os objetos no tempo e no plano, no âmbito do
tempo vivido, que, posteriormente, serão descritas e narradas suas
histórias, seus dramas e tragédias anunciadas, sob a forma de ciência,
filosofia, teologia, ou na esfera dramática da arte, aproveitando o
adubo fértil no túmulo e no além-túmulo, ou as cinzas esparsas ao
vento, panteísta cético, depois que o tempo arrastar consigo as vidas
em ato no teatro do gueto, quando do “arrasto” “aerodinâmico” da
morte, a inelutável anunciada pelo anjo “torto” em poema de Manuel
Bandeira, anjo posteriormente capturado por Carlos Drummond de
Andrade.
As peripécias ou périplos dos pobres para sobreviver é entretenimento
cruel para o abastado,o opulento, o homem de vida nababesca, o
perdulário contumaz e indiferente, cujo capital foi ganho facilmente;
portanto se divertem, enquanto espectadores do drama e da tragédia
alheia, esses senhores dos dois mercados, por onde a lei passa com um
hálito diferente na brisa, haurindo as fragrâncias na aragem tépida,
na tepidez lânguida da tarde que se curva em sol para o lusco-fusco.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

TACITURNOS ( wikcionario dicionario etimologico etimologia wiki infopedia))

O retrato movediço nos filmes de Hollywood
abriga a indústria do entretenimento
com o advento do cinematógrafo
do qual a metonímia ou transnominação
faz uma instância do metônimo
( A sala do cinema
em função da metonímia
é um metônimo que nomeia o recinto do cinema
e o cinematógrafo ou equipamento
cuja função é a de passar para a atela
as obras cinematográficas
através dos fotogramas
com estribo no movimento beta
um tipo de "estribilho" psicológico )

O cinema em seus pioneiros
tartamudo em Chaplin...
mostra um tempo a vagir
antes do meu primeiro dia ao sol
sem saber que havia um girassol no vento
colhendo moinhos de vento
e meninos e meninas
no seu receptáculo para amarelo capitular
( o girassol é uma flor em capítulo
assim como outras tem inflorescências em rácimo
umbela corimbo amentilho espádice espiga cimeira bípara... )

O tempo pingue nos filmes de Hollywod
enquanto indústria de entretenimento
enovela-se em vetustos retratos sucessivos
oriundos da captação da luz
de um dia cálido e concatenado
num calidoscópio que a imagem latente do daguerrótipo
havia aprisionado numa lâmina
protegido num cristal
após o fluxo e a fixação da imagem
que é uma hagiografia da química
no amplexo com a matéria utilizada
( A fotografia ou processo fotográfico
é uma reação da química
provocada por um ato humano :
o ato de pensar ler e grafar
o caleidoscópio impresso nos versos funéreos
perpassando através do instantâneo
a esculpir o emergir e imergir simultâneo
do ser e vir-a-ser flagrados no retrato
em face da mente atribulada do poeta Alan Poe
em sua imagem mais conhecida
alumiada pelo daguerrótipo
um ícone do tempo
que outrossim capta o séquito da morte nos olhos do poeta /
retrata-a com seus convivas /
- os taciturnos comensais do banquete /
que será servido em casa /
com seus acepipes /
suas iguarias e guloseimas /
O retrato do bardo da América no hemisfério setentrional /
pode ilustrar a obra de Aristóteles sobre a fisiognomonia /
O homem é o catalisador da reação química /
produz a sua catálise /
enquanto aflito na clareira aberta pelo daguerrótipo /
que plasma um espaço no tempo /
sucessivamente e extensivamente /
no dicotômico olhar dos sentidos /
fomentadores do conhecimento /
que não passa de um paradoxo de sorites /
- o homem é o daguerrótipo! /
este seu semblante de centauro /
- em centauromaquia pelas ranhuras do tempo /
que narra uma história trágica /
escrita para olhos de homem afligido pela proximidade da morte /
tragédia legível nos olhos do rapsodo Alan Poe /
hoje descido ao solo argiloso /

O tempo armazenado na filmoteca de Hollywood
desenha caminhões
arrastando atrás de seu rasto
do daguerrótipo em diante
uma coleção de fantasmas redivivos
as ressuscitações de Cristos no cinema
que cria ou inventa outra alma
que não e mais a alma do paganismos no latim clássico
nem tampouco simplista, homogênea e precária alma
do cristão e do sacristão sacrílego
mas uma alma cinestésica
- alma em cinestesia
no sentido muscular
quando no envoltório de uma metáfora
que ocasiona uma licença poética
a qual remete o poeta ao privilégio infausto
de por por o vocábulo para o motor muscular
e o moto contínuo no cinema
em lugar da percepção
que origina uma sinestesia delirante
- a percepção sensorial em Baudelaire
que coloca a sensação numa rede semântica
acenando para uma semiologia e semiótica
posteriores às pastorais do poeta gaulês
que compreendia a natureza intrínseca da sensibilidade
toda uma fenomenologia poética-filosófica refinada
de fundo vegetal
originária na fauna e flora da alma e do espírito humano
( o cinema é uma inovação da alma
em transição do latim romano
para o refugo do latim cristão deteriorado
- o cinema é a alma cinestésica
ou desarraigada da cinestesia metafísica-cristã
para os arroubos cinestésicos
induzidos em cinéfilos
como se esses fossem bobinas para indução eletrostática
No caso, uma centelha elétrica
concebida por Otto Von Guerick
inventor do dispositivo gerador de energia eléctrica estática
físico que estudou o vácuo, a pneumática e a propagação do som )

O mundo no retrato está entre a entalpia e entropia
conquanto não para sembrar antinomias
que não há entre os vocábulos
que timbram em ser "dissidentes"
( a locução de um homem
pode dissentir de outro interlocutor
porém não o vocábulo
que não pensa
mas sim é pensado pelo homem
a cismar dentro do rio de piche
que é a noite
- uma ribeira para ao barqueiro Caronte )
Todavia, pensamos por meio de um maniqueísmo
o qual fundamenta o ser pensado
- no caso, as reações químicas
cuja função é redesenhar
na prancheta de um arquitecto da vida
( que são os artistas!
esses arquitetos e engenheiros vegetais, vitais )
a anatomia e a fisiologia
as quais "ciências" são os escultores de engenho
na engenharia e reengenharia do corpo humano-animal
no decurso da vida
pois ninguém é trânsfuga
e não há refugo vivo
( Aos trovadores fica o estudo
do corpo anatômico e fisiológico do centauro
do sátiro, da linfa na ninfa
da ninfomaníaca e outras divas
nas cantigas de amigo e amor
do rapsodo com timbre de violino ou violoncelo
cheio de anelo pelo belo
enleado e prenhe de significação )

O retrato recobre o tempo pretérito
tece em torno dele um casulo
ou um repositório sucinto
caminho sobre o tempo
revisitando seus contornos
sobre a poeira assente
então nas coisas tangíveis
que o lápis de luz e treva debuxa
no quadro de Vermeer
celebérrimo artista holandês
em perene enleio
ante sua vida meteórica
( Neederland, Neederland!...
da escola dos pintores flamengos
- escola flamenga de prolífica brasa )
ou nos retratos cinéticos
aonde os trastes posam com todo garbo
assim como as atrizes se mostram faceiras
ridentes maviosas fugazes
junto aos galãs garbosos
que vivem o pó de luz
- a réstia no retrato )

De se Lamentar que o retrato no cinema
exibido num ato ostensivo e prepotente
de frenesi impudente leviano sumário
atos de homens ou bestas destituídos de escrúpulos
transcritos nos debuxos e gravados
no estilo amaríssimo de Goya
em seus irônicos, sarcásticos, desdenhosos caprichos
nos quais retrata a ação ignóbil
biltre vil tumultuosa deletéria ruinosa calamitosa
o opróbrio vexatório atribuído ao genocida contumaz
e concernente aos parricidas regicidas matricidas fratricidas
- e alguns soldados ou guerreiros remunerados enquanto sicários
cujo desiderato é o de perpetrar assassínios...
perpetuar crimes legítimos
porquanto embasados no despotismo da lei
dos estados cujo povo sofre opressão e é vilipendiado
enquanto os criminosos no sólio do poder
vão recebendo comendas e medalhas auríferas
louros e guirlandas tais e mais sórdidas
que a luz do sol sobre tal estado de fatos
e atos oprobriosos ignominiosos
pertinentes ao atos sub-animais
pontuais e notórios em tais sub-tiranias medonhas
cujos mandatários aprestam suas biografias eivadas de máculas
- nódoas indeléveis que caracterizam os déspotas
sempiternos senhores dos poderes do Tântalo
e das torturas de Sísifo
quando o estado é o Hades
onde o poema de Dante põe a maioria ou povo
enquanto alguns eleitos vão ao paraíso
de um jardim do Éden ou das Hespérides

Não importa se as insígnias sejam o báculo
e o prelado em suas prelazias ou prelatura
faça uso do hierofante heráldico
ou férula papal
o brasão e a mitra
a qual cobre a cabeça prelatícia
a ínfula que desce às espáduas ou escápula
a tiara papal com três diademas
ornamentada com gemas preciosas e pérolas;
enfim : a heráldica eclesiástica
uma espécie de paradoxo sorites
cuja função é assinalar a fragilidade dos sistemas dogmáticos
ou da gnoseologia do pensador sob dogmas
( Todo sistema de pensar
labuta em exegética supérflua
a especular o ser e a existência
infensa às investidas da hermenêutica falaz
toda aplainada para a essência )

Os relógios...os relógios! : são retratos do tempo
Todavia antes dos relógios
dos fonógrafos e das clepsidras
do cinematógrafo e outros equipamentos congêneres
haviam outros retratos
que o daguerrótipo não pôs em olhos objetivos
não cristalizou no tempo
- tempo geológico dos cristais
na tradição das eras
a reverberar nas faces fotografadas
para ato fisiognomônico

terça-feira, 21 de junho de 2011

DESIDERATO ( wikcionario wik dicionario onomastico etimologia wiki )

Não acho que amo hagiograficamente /
a São Francisco de Assis do rio pisado /
- São Francisco de Assis em ribeirão /
que baptizou meus pés /
quando o profeta era baptista por lá
á jusante daqueles águas à montante /
do meu coração de menino passarinho no ninho
a pipilar ao devorar as minhocas /
que me trazia o pelicano pai /
e minha mãe, alcatraz branco /

Não, não gosto de São Francisco de Assis /
mendigo italiano medieval /
errabundo pelo mundo /
medievo homem mendicante /
fascinado pela pobreza abstracta /
pois de fato era filho de um nababo local /
- nascera sob a opulência /
vivera de forma nababesca /
até seu alumbramento /
no sentido pneumotórax de Manuel Bandeira /
bardo em ritmo dissoluto /
assim como a poetisa Safo /
da ilha de Lesbos /
quase sibila /
no que sibila o vento passageiro /
( Toda sua concupiscência /
lançada em suas rapsódias fugazes /
a se esvair languidamente /
no que era a cinza do tempo /
- um tabagista peremptório /
o tempo a mascar o fumo nos relógios ) /

Foi canonizado pela igreja católica apostólica romana /
este idólatra que cultuava o Santo Lenho /
porquanto os santos da igreja /
vinham para propiciar hagiografias fecundas /
cujo escopo era amealhar poder para a igreja /
Eram santos de época /
ou o tempo arquitectado pelo homem /
sobre a caberia e os ossos dos antepassados frades /
padres e outros clérigos /
que serviam a igreja /
vivos ou mortos /

As insígnias que o cobriam feito veste talar
não era a metáfora da pobreza /
mas o cíngulo com que rodeava a cintura /
a estola e a casula do prelado /
não trazia báculo mitra tiara
mas tonsura sim
nem tampouco solidéu
ou outro símbolo da heráldica eclesiástica
tiara hierofante ou férula /
não estava neste pingue personagem medieval
da idade média central /
no hemisfério ou hemistíquio das trevas /
derramadas no tempo /
que cozeu o contexto daquele anacoreta /

Não menosprezo os atos de São Francisco de Assis /
enquadro-os em intercontextualização /
mendigo italiano medieval /
medievo mendigo /
canonizado pela igreja católica apostólica romana /
nem tampouco do romantismo italiano /
- romantismo que aloco em Assis /
em época nada romântica /
de um tempo medieval /
cercado por templos /
em formato de catedral gótica /
e castelos feudais /

São Francisco de Assis /
não passava de um mendigo medieval /
medievo ser de época /
camada geológico do seu tempo /
estela franciscana apagada em geoglifos ( ou geóglifos) /
cuja vida imaginária /
esplende beleza e candor irresistível /

A história sem escrita /
mas sim na existência /
no tempo do homem /
é a de um certo Giovanni de Pietro di Bernardone /
um italiano esbanjador de paixões /
um homem que construiu em roda de si /
o seu tempo-de-idiossincrasia /
para contrastar com o tempo genérico dos homens /
espargido em redes para peixes miúdos e podres /
( o tempo é um produto ou um feito do homem /
mas alguns homens personalíssimos /
cuja inteligência é indômita e selvática /
fabricam seu tempo personalíssmo /
exegetas que são do tempo alienado /
que sói sair nos retratos /
nos vetustos daguerrótipos /
que ainda vêem o poeta Alan Poe /
sem nenhum corvo agourento /
( São Francisco de Assis /
é apenas um vocábulo no dicionário onomástico /
para servir à literatura /
narrar uma bela história literária /
transcrever um drama para o teatro /
ou uma reminiscência trágica /
com lastro nas hagiografias do mártires cristãos /
dos tempos de antanho /
quando Santo Antão nem chegara às tebaidas
muito menos à obra de Salvador Dali ou Goya ) /

Acho que o que me atrai é da tonsura /
- da tonsura de São Francisco de Assis /
santo no imaginário da ficção do Direito canónico /
( todo Direito é uma literatura escrita para uma ópera /
ou para representar no teatro próprio /
com e com rito apropriado ao contexto /
que rima com o escrito ) /
- asceta metido em surrão remendado /
roto paramento da ascese /
cordas cingindo a cintura /
( o nome eclesiástico para essa "cordas" rotas /
no jargão da prelazia é "cíngalo" ) /
- já no jargão da matemática /
cordas designam senos trigonométricos /
Entretando, o santo seráfico
não tocava tais cordas de viola ou alaúde, cítara /
porém cordas para tocar /
num coração cálido /
de ardente paixão pulsante /
à maneira dos italianos /
pois este coração o frade exibia no peito /
( O frade de Assis ostentara intensa paixão /
no decurso de sua vida breve /
Era um homem intenso /
de vigoroso temperamento /
e vontade onipotente! /
- um deus, uma divindade medieval! ) /

São Francisco de Assis /
o homem representado por Giotto /
( amo São Francisco de Assis na obra de Giotto ) /
porquanto o santo de Assis /
era um homem das dores /
prescrito nos vaticínios do profeta Isaías /
poeta da mais alta cepa /
este profeta teatral /
que amava o bombástico /
e os oráculos terrificantes /
mas também um arauto do evangelho /
que quase leva o progenitor à bancarrota /
( Este santo é um nume da igreja católica /
cuja hagiografia idílica ou romanceada /
embasada em panegíricos e apologias /
exorta um proêmio ao devaneio /
ilustra, no entanto, a megalomania do pai seráfico /
- sua vida medieval é proverbial /
mesmo metamorfoseada na tradição oral /
profícua em erigir formosura /
a haurir numa vida medíocre e ocasional /
com notório gris por cor /) /

Fico embevecido com a ordem dos mendigos /
cujo nome ou inteligência nomeada /
põe em lugar do mendigo miserável e infeliz /
o vocábulo mendicante /
das ordens em forma na idade média efervescente /
então evanescente /
nas vascas da agonia /
no seu ocaso /
que afina harmoniosamente /
com a voz sofisticada do violino mais estridente da orquestra /
o magno soprano /
que não sopra o anjo da goela ou da laringe /
mas dá a tónica da nota da Ordem mendicante /
a qual se estriba num dó maior sustenido bemol /
( ou algo assim musical timbrado ) /
e floresce melhor em qualquer solo /
( solo de violoncelo belo! /
ou anelo por esse solo ) /
quer seja este solo para clarinete /
e não tão-somente para tuba em solilóquio /
num solipsismo lastimoso /
moroso e lacrimoso /
solo só solene e sem soluço de violino divino em hino! /
- violino em solitude de fagote /
vivo no sopro do músico solista /
- músico cuja filosofia é o solipsismo /
amuado no solo de oboé cantante /
a rumorejar no riacho pequenino de riso em menino /
- bem pequenino menino /
menino Jesus /
pois menino é menino /
- é menino Jesus! /
é filho dos tempos em desarranjo de banjo nos relógios /
neto no tempo para miosótis em êxtase /
bisneto ou trisneto em tempo em que houve a metamorfose nos desenhos /
nos artefactos tangíveis e nas coisas intangíveis /
para o macróbio sobrevivente às intempéries abruptas /
e às vicissitudes da vida /
se cônjuge supérstite /
quando o homem logra sobreviver à viúva eterna /
à viúva de Sarepta /
visitada pelo profeta Elias /
- mulheres sempiternas /
e ternas, sempre ternas /
da ternura infusa nas dálias /
nas amapolas, gerânios, no alecrim campestre... /
floradas de uma meiguice silvestre! /
ou capitulares no girassol /
que gira o sol na abóbada celeste /
para violinista celeste /
ou verde se o violino está nos baixios /
aonde vai o arroio e o arroz dos campos /
estepes, tundras, cerrado, paul... /

Ser o menino Jesus /
o bem pequenino menino Jesus /
era o desiderato de São Francisco de Assis /
o pequenino São Francisco de Assis /
cujo sonho acordou com a montagem do presépio /
- a invenção do presépio tirado ao surreal /
à areia do surreal que enche a praia da ilha onírica /
( Haverá uma cor onírica /
para se apreciar na aldeia abandonada na imaginação /
para onde peregrina o artista /
toda a noite /
através do véu da madrugada "frígida"?!...) /

Oh! o pio presépio de São Francisco de Assis! /
um frade menor /
criador da ordem menor /
fundador da ordem dos irmãos mínimos /
para não dizer os irmãos meninos /
- a Ordem dos Irmãos Meninos-Jesus!
( A Ordem Franciscana dos Meninos Jesus /
ou frades menores ) /

domingo, 19 de junho de 2011

LINDES ( wikcionario dicionario onomastico etimologia enciclopedia )

O humanismo é, antes de uma doutrina, ou teoria, uma atitude do homem
ante a sociedade e cultura, uma reposta ou uma ação crítica aos
abusos que civilização perpetra, paulatinamente, contra o indivíduo,
quando essa civilização começa s se enrijecer com normas cada vez mais
independentes da vontade humana, com fulcro tão-somente em vontade
política, que é a vontade de ninguém, exceto dos interesses dos donos
do poder, seja ele econômico, jurídico, executivo, legislativo,
judiciário, ou do poder dos meios de comunicação de e massa, que
massacram impiedosamente seus adversários, reduzindo-os a pó, agindo e
reagindo ( na realidade mais reagindo que agindo, pois não está na
esfera do pensamento humano não alienado : o poder é uma esfera que
existe alienado do pensamento humano em alma ( um pensar morto e
sepultado com o filósofo morto ), porém vigente ainda no " espírito
das leis", espírito sem alma , ou pensamento morto, leis essas que, pela
farsa da impessoalidade, pune quem deseja punir
e faz galgar aqueles que são servos úteis aos poderosos). Não há
espírito algum em lei sem alma ( alma sempre em sentido-latim pagão,
não o cristão, que remodela o termo ao cunhar outra idéia fundante da
estultícia cristã e sua gnosiologia inerme, pusilânime ). Lei pétrea
ou com tal cláusula ( ou clausura?).
Nenhum poderoso é humanista, porquanto não é possível ser humanista
sendo psicopata, vivendo sob o anátema ou o estigma da psicose ou do
poder, que traz a megalomania inexoravelmente. A paranóia decompõe o
homem em vida, rasga a alma de par a par. Marx, sim, era um humanista
ferrenho, conquanto materialista dialético, ateu. Contudo, em sua
tolerância, nada tinha a opor a deístas ou ateístas, fora do estado
que rumava para a utopia do comunismo marxiano.
O humanismo, mais que tudo, é uma atitude, mas antes de ser uma
atitude radical é uma noética ( não creio ser viável qualquer ética,
mas sim a noética, que é
a inteligência da ética ou comportamento humano racional ) : dá-se
esta atitude radical quando o homem se põe no centro do universo,
tomando o lugar de Deus ou dos deuses.
Tudo isso ocorre no sentido negativo da polar ou bipolar maniquéia
que perpassa todo o pensamento humano, em todas as culturas, desde as
brumas dos tempos imemoriais, guardados, entretanto, no relicário
genético, implica num vetor totalitarista, num totalitarismo à maneira
das piores ditaduras da histórias, se, de fato, não discutindo o
direito, há, nas instituições humanas, outra forma de política que não
seja a ditadura.
A ditadura é a pior forma de alienação do pensamento ; tal forma de
pensar alijada da realidade humana do homem provem da religião, que
plasma as demais instituições ou alienações do pensamento. A religião
é a primitiva forma e conteúdo da ditadura.
Talvez por isso, ou por esse ar no cérebro, Marx tenha aventado a
idéia de ditadura do proletariado ( lúmpen-proletariado), cônscio,
quem sabe,que era o único
modelo do poder, seu paradigma inelutável. A inelutável ditadura do
povo, par ao povo e ao pelo do povo. Sofrível democracia! ( A
democracia e as demais formas de governo são tiranias moderadas ;
quando falta essa moderação, que se caracteriza por uma certa medida,
um comedimento na aplicação da dieta, a qual evoca a virtude da
“temperança”, em regime governamental, então a boca do povo vai ao
dicionário onomástico, “filosófico” ou etimológico e berra,
esbraveja, faz o consumo da palavra “tirania” ou ditadura. Em que pese
o universo onírico que verga os vocábulos para a utopia e o idílio,
todos os governantes são ditadores, tiranos, caudilhos, sátrapas.
No que tange à natureza da ditadura, quiçá seja a democracia, ou a
nobreza, a monarquia, enfim, todas essas formas e demais, não
arroladas, no sumário, formas brandas de ditadura, que a palavra, com
sua capacidade plástica e sua tendência inata, na alma do homem, ao
sofisma, não tenha mitigado o que sempre é uma ditadura em várias
modalidades.
A oligarquia mesmo é uma ditadura e está presente dentro de qualquer
democracia, na alma e no espírito da República e até da utopia, que é
uma república à parte, jogada no onírico e no Direito, que partilha o
legado do onírico durante a vigília, porquanto o Direito é mera e
meritória ficção poética, dramática, ritual, com provas fictícias e
quase nenhum homem probo para trazer a prova à baila ou a lume de um
pequenino vaga-lume na escuridão da noite que o ronda sem assas de
coleóptero, as quais o pirilampo ostenta desdenhoso ante a improbidade
do homem, que, assim réprobo, nada pode provar, senão através
expedientes fraudulentos e
fraudes, interpretações obscuras e eivadas de interesses escusos,
ignominiosos.
O homem, em geral, é a própria representação iconográfica da
ignomínia, da perversão, da boçalidade que lhe toma o beiço, a face
inteira! E, efetivamente, um ser lamentável, um misantropo em
sociedade, um misógino
efetivo. Uma hecatombe, calamidade, pior e mais perverso que um
cataclismo natural : "Ecco homo".
Erasmo de Rotterdan, talvez o primeiro humanista, ou o dos mais
competentes e um dos mais celebrados humanistas, tem esta posição,
algo esdrúxula, uma bizarrice ( mas o homem é bizarro! : assim somos )
: coloca o homem, um louco, no centro do mundo e, ao mesmo tempo,
critica Deus, a Igreja, as mulheres, os sábios, eruditos, enfim, todo
o mundo, inclusive a si, tomando como epíteto de si a loucura ou
estultícia, demência atávica, hereditária.
Erasmo de Rotterdan é uma personagem do humanismo , um protagonista de
peso ; ele lê e escreve o humanismo dentro de uma maniquéia esdrúxula,
bizarra : polariza o mal no mundo, parece se sentir desconfortável,
paradoxalmente, com a ausência de deus no mundo e a nova posição que o
homem toma nesse ínterim, do timão do iluminismo para o humanismo, que
se complementam, se não for o mesmo pensamento com diversa terminologia
histórica, um movimento ou um mover o tempo paulatinamente, com as
respectivas mudanças ou mutações que renomeiam a esteira por onde
cavalgou o pensamento, num galope de corisco sobre o alazão, o corcel,
a cavalgadura de Hércules ( Héracles), Pégasos, ou o unicórnio da
mitologia grega.(Cavalo Andaluz, Árabe, Quarto de milha, Pônei,
Crioulo, puro sangue inglês, lusitano, Bretão , Berbere, Pampa,
Mangalarga marchador, Paint Horse, etc.).
Ele, Erasmo, cético e mesmo incréu, ateu cínico e irônico, useiro e
vezeiro de subterfúgios maliciosos para não cair nas garras da
inquisição, a simpática Inquisição à espanhola ; não obstante os
riscos da empresa, esse renomado erudito medieval sabia
brincar com o fogo sem se ferir ou queimar na fogueira do inquisidor,
pois o que ele critica e satiriza o faz com tamanha habilidade que
ninguém consegue decifrar a heresia evidenciada alhures em seu texto,
mormente na obra "O Elogio da Loucura", que é um panegírico invertido
do mundo comandado pelo poder do homem na ausência total de Deus, o
inexistente fora da metafísica, o inexistente na física.
Para o humanista em tela, o homem é um louco ( estulto) e o mundo sem
Deus e, consequentemente, sob a batuta do homem, é a loucura (
estultícia ) ou o pólo negativo da maniquéia, sem nenhum possibilidade
de tensão com um pólo positivo falso ( o rebanho sobrevive sob a capa
da mendacidade, que é outra forma de mendicância do vulgo ); destarte,
como o pólo positivo, com o homem no comando, sendo o homem o povo, o
arrivista, o político, enfim, com a probabilidade de que os homens
sórdido e impudentes tomassem o comando, após o humanista, pois mesmo
sob a ameaça de Deus o homem, ainda dentro do claustro, nas abadias,
nos monastérios, na vida monástica, já se comportava de maneira
deplorável, consoante constata todo o tempo Erasmo ao fazer a
"apologia" da loucura humana em todas as suas atividades e
comportamentos,resta ao autor, sob tal ótica, se por como pólo positivo
fático e "magnético", a fim de salvar o mundo com a ironia, o
sarcasmo, e, para tal fim, se polariza ao lado do bem, encarna o bem
enquanto crítico mordaz, ferrenho, na sua diatribe em função do bem
( que os hipócritas chamam pejorativamente, na língua deles, de bem
comum, mordendo a língua de Platão quando viva e com enzimas
gustativas para a sapiência); na falta de Deus, mesmo porque o homem
se arvora em único pólo positivo do maniqueísmo renascentista,
humanista, iluminista, porquanto o ser humano, enquanto ente
filosófico, se erige em crítico sagaz, perspicaz, arguto e descrente
ou com umas pontadas de ceticismo e cinismo ( todas essas
"filosofias" ou escolas filosóficas estão presentes no pensamento do
humanista Erasmo, cujo ateísmo é evidente, mas a desesperança grassa
neste pensamento em desalento ).
O pensamento humanista ou humanizado, desbastado na personagem Erasmo
de Rotterdan, homem de sua época, busca uma linha de pensamento
inovadora, ao se deparar irremediavelmente com a ausência e
inexistência de Deus no mundo, dentre os entes e as coisas e,
concomitantemente, da aniquilação ou do niilismo polar presente no
corpo da maniquéia humanista, enceta um novo olhar para as coisas
mundanas, profanas, pois o antigo Deus medieval já não serve à vetusta
maniquéia, vez que saindo da existência, após o advento dos filósofos
iluministas, os ilustrados, enciclopedistas, e os humanistas, ocorre
um movimento pendular que polariza toda a carga do bem não mais em
Deus, que passa da suposta existência ( dos entes mundanos )à essência
( ser de pensamento ou ente sacrossanto, não alijado do mundo,
porquanto nunca esteve na corrente da existência, excepto se se
considerar o panteísmo um deísmo, mas não um teísmo ) e contrapondo-a
ao mal, cujo pólo era o diabo e passa a ser a humanidade, corroída por
homens ruinosos, ignóbeis, vilãos, turba enxovalhada que se erige em elite
pelo voto da massa dirigida, massa de manobra, massa falida.Uma
desolação!
Então o humanista supra mencionado polariza o bem para si, no fim de
Deus, ou morte de Deus anunciada em Nietzsche, a fim de por em
andamento a escritura e leitura, enfim, a literatura da maniquéia, que
parece ser a única forma que o homem encontrou para decodificar a
natureza, o universo e o pensamento; ou seja, a física e a
metafísica, nas quais está contido o conhecimento, porém não a
sabedoria, que sobeja na alma, transcendendo o espírito ( pensamento,
ser, essência) humano.
Suprimida a atividade cênica de um deus, sem essa cenografia, o
indivíduo, que esse é o ser humano real, existente, na corrente da
existência remando ou representando, resta ao homem individual,
individuado ( nem todos são individuados, conquanto sejam indivíduos!
Há discrepâncias de natureza da conceituação, embora sutis ), se põe no
pólo positivo contrapondo-se aos não-indivíduos ( seres
não-individuados, usurpados de sua suposta inalienável individualidade ),
que servem à sociedade alienada na condição de escravos formados
( essa uma profissão à sombra das moles dos edifícios, invisíveis até
para as bactérias e os fungos florescentes ).
É o mais recente embate do maniqueísmo : a justa entre o bem e o
mal, a qual, agora, atualmente, não faz mapas para reservar os
lindes ou as terras lindeiras de Deus, com terrenos nos céus de anil
ou com púmbleas nuvens, porquanto os céus são, paradoxalmente e sem
escabelo para
os pés, as "terras" da divindade, depois do monte Olimpo, e os
respectivos subterrâneos do diabo, com todos os seus subterfúgios e
sortilégios, dos quais nem Hades ou Dostoievski gostava. Essa batalha
entre Deus e o Diabo há muito se findou; teve fim ao irromper a aurora
do iluminismo e do humanismo, doutrinas congêneres, suplementares,
talvez ou com enorme afinidade.
Essa porfia, que desceu dos céus e pisou o barro e as ervas na terra,
ilumina-se na obra de Erasmo de Rotterdam que, não obstante todo o seu
ateísmo sistêmico, sistemático, elucubrado, se sente perdido com a
ausência de Deus e a entrega do mundo para os arrivistas, os loucos de
todo gênero, os sequiosos de poder sobre os demais animais humanos ou
inumanos.
Então, Erasmo, o humanista sóbrio, se põe no lugar de Deus,
enquanto indivíduo crítico, conforme fez Marx, Giordano Bruno e outros
eruditos e sábios, que pereceram nas mãos dos vândalos no poder,
sempre no poder, a perpetrar seus crimes contra o indivíduo ( ou o
conceito vazio de humanidade) em nome da lei, que são seus interesses
escritos claramente, sem rebuço.
A loquacidade do filósofo pugna contra esta humanidade mefistofélica,
que são os novos e reais diabos, os autênticos, fáticos e genuínos
adversários do homem, os filisteus reconstituídos no gigante Golias,
que, então, era a Igreja, e hoje é o estado ( o estado dito de
Direito, cujo único direito é o de atormentar o indivíduo, tolher sua
liberdade, estorvar ; o estado moderno é uma empresa, na realidade, é
sua finalidade é ser um estorvo para a maioria obediente e uma
alavanca para os donos do poder); outrossim, o país, a nação, enfim,
o demônio em voga, a afiar a espada, garras e dentes contra o
indivíduo, cuja luta e inglória, certa a derrota, pois peleja contra
todos os inimigos, uma vez que nesta história a canalha toda é inimiga
odiosa.
Antes matavam e torturavam para maior glória de Deus ( um ente
inexistente que ainda mexe com as gentes!) e assim vão
indefinidamente, sem solução de continuidade, numa maniquéia que é
mais útil para loucos que para sábios ou sãos, santos, límpidos de
alma ( alma sempre no sentido vetor do latim, bem como no escalar
também, amém).
O loquaz Erasmo de Roterdão, humanista assaz brilhante, obtempera,
subliminarmente, sem que nem ele mesmo o perceba ou leia o que
escreveu ( o escritor é "analfabeto" dos símbolos e outros
penduricalhos que correm pelos seus escritos, quais ratos no porão ou
nos esgotos, pensamentos cujo efeito é o de extravasar idiossincrasias
inconscientes ou cuja intermitência torna a auto-leitura irrealizável
), que sem Deus o mundo muda de paradigma e também desembesta na mão
da besta humana, o que parece reforçar a idéia de Apocalipse que os
tempos e teólogos( ou texugos?!) medievais escreveram na cabeça do
humanista ateu. Assim, apresenta cético um maniqueísmo precário,
irrisório, cuja polaridade do bem é tênue, quase uma despolarização,
consubstanciando, no fundo, uma maniquéia frouxa, na qual o pólo
negativo ( ou o gigante Golias, o filisteu na pele do novo lobo : o
estado ) não tem êmulo ou rival que o possa afrontar.É o fim do
indivíduo ou o caminho para o fim. O começo do poltrão, senhor do
estado, cujas leis distribuem o Direito e a justiça para poucos : os
amigos do caudilho, do sátrapa.
Por fim, é mister dizer que toda a maniquéia dos filósofos se acha
bifurcada em dois pólos, os quais dividem as ciências em física e
metafísica; são dois termos, neste caso a propósito, porque propugnam
em si, em seu espírito ( pensamento ) a própria essência da
maniquéia, no princípio do
contraditório que medeia física de metafísica, essência e existência,
conquanto, ambas, enquanto ciências cognitivas, não têm liame algum
com a existência, mas somente com a essência, alma e espírito que
anima a ciência, cujo espírito é um maniqueísmo universalmente
presente no conhecimento e, outrossim, talvez, na sabedoria, codificado
e decodificado mercê de suas contradições, que afirmam a maniquéia
como doutrina universal constituintes dos princípios da razão humana,
de priscas eras, ó sibila célebre!