O homem é dono do tempo
principalmente do tempo no retrato
onde amealha seus inventos
desde a câmara de fotografar
até os artefatos que vemos ou lemos retratados
escrevinhados em luz
na geometria de Euclides
pondo o espaço num plano
e, destarte, dando uma mostra do tempo
tal qual se pode ver ainda
antes da baixa Idade Média
no quadro pintado sobre carvalho
do artista da escola flamenga
- o pintor Jan Van Eyck
pintando um casal
numa cena que evoca o tempo
- o tempo a aprestar talvez um casamento privativo
ou um exorcismo imaginário ;
enfim, um rito para deleite do pintor
e do senhor do tempo
nas bodas com a senhora do tempo
sendo o artista um seu servo
Este tempo pode ser lido no retrato
( todo tempo está codificado em fotografia
ou escritura em luz solar
e trevas depressoras do sistema neuro-vegetativo )
- decodificado nas coisas que o homem fabricou
e foram fotografadas ou escritas em luz e sombra
à moda de Caravaggio
que retrata o tempo no conteúdo captado pelo retrato
- o tempo ao lápis da luz
( ou em lápis-lazúli
quando faltar grafite ?! )
de um Brueguel imaginário
com mão na máquina fotográfica
a gravar e grafar a luz do dia congelado
ou fossilizado em espectro solar /
Todavia, o tempo não é de qualquer homem
- tem proprietário ou senhorio perpétuo
é um outro latifúndio sem terra
ou uma empresa, igreja ou estado
instituições cujos donos são temporais ou espirituais
Outrossim o tempo tem proprietário
ou proprietários que não admitem evicção
desdenham erosão ou cataclismos
no traslado da escritura pública à luz da lua luciferina
Os donos do tempo são os príncipes e reis de época
aqueles cujo escabelo dos pés é o povo submisso e subserviente
um povo glabro
gentio imberbe
Os senhores menores
são visíveis na tez dos governadores ou deputados
presidentes ou senadores
ministros ou desembargadores
- outros sátrapas na tirania pelos séculos fora
( Porém o mundo não é dos vetustos caudilhos
e sim de reis e príncipes à sombra do enigma da esfinge )
Mais que o espaço
o qual é, no mundo cultural,
construído por laboriosa engenharia dos servos e escravos exímios
em sua arte de alvenaria ou literatura
de onde emana a filosofia e as ciências normativas
cuja matéria é o tempo em voga
moldado em formas temporais no conteúdo da matéria
extensa pelo espaço ao alcance dos olhos e mãos
e pelo labor do intelecto
aplicado em ensaios e tratados metafísicos sobre a essência das coisas
- o tempo é do homem
e reflete a face humana
no Narciso amorfo morto
que se afogou no poder
à lâmina d'água
que move moinhos de vida e vento
até o olhar desvairado de Dom Quixote de La Mancha
cavaleiro de triste figura geométrica
num mundo em desatino
descair sobre as pás desses moinhos de vento
e ter a miragem que vem açodar todo homem
cujas penas pesam mais
e tem viço mais negros no fundo da noite
que as penas do anum
- o anum que empluma a noite sem luar
a sitiar a alma
( um homem açodado
exime-se de observar o senso do ridículo
perde o olho no pássaro negro
a adejar na asa do escuro )
Quando sói ao retrato despencar da parede
o tempo cai junto
a se esboroar
qual cântaro ou bilha
em pó dentro da fotografia
que um dia ou noite mirou o tempo
grafado em luz e carvão de treva nanica
- noite mínima em azeviche
dia apenas esboçado
no rascunho ou sumário de inventos
que o retrato ostenta
com a matéria inerte no tempo
- matéria desprovida de alma
mas alma no sentido-latim pagão
( Um violino Stradivarius fabricado
é o tempo manufaturado
- uma idéia originária
nunca dantes presente no universo
isento de natureza divina ou física )
Contudo o retrato se reconstitui
e se ergue do pó
retomando o caminho para o tempo
que continua íntegro
no substrato físico e químico
que colheu e grafou a luz na sombra
e subsiste dentro do retrato
com uma imobilidade de gema
- num relicário de tempo
sábado, 18 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
IMAGINAÇÃO ( wikcionario wik dicionario onomastico etimologia )
Alice era um lavadeira que não lavava no rio /
São Francisco descalço nos seixos da cachoeira em cantilena monótona /
- um rio cantante na terra /
à flor da terra /
ou sobre a pedra acinzentada /
vergastada pela água translúcida /
com as madeixas encaracoladas /
escacheantes /
como cabelos de deusa grega
ninfa ou nereida /
Não batia roupa na pedra rígida /
consoante sói às lavadeiras /
no ancho rio onde o peixe pulula..: /
no principio Deus criou o peixe /
empós por o espírito a cismar sobre as águas /
- a pensar no pensamento do momento /
monumento ao homem do vulgo /
que é a metafísica de Aristóteles /
a fisiognomonia do filósofo... /
Alice era triste e só /
monja sem eremitério ou ermida /
nem nada teologal /
escassa instrução /
nenhum vislumbre intelectual /
humílima sabedoria /
ao gosto dos frades menores sob a ternura de Francesco /
Soturna, macambúzio semblante , indolente ou esquecida de si
nem cantava ou harpa tocava /
tocava o olho na harpia /
que voejava na abóbada celeste /
que é um violinista celeste, azul /
ou cimo de inflorescência anil /
Nenhuma cantilena vinha de sua voz /
mesmo se fosse de improviso /
numa inspiração repentina /
a mirar e ouvir a água cantante batendo na pedra /
descendo na cachoeira de cabelos escachoantes /
aos cachos de deusa grega com espuma /
- com as "espumas flutuantes " escritas por Castro Alves /
excelso poeta destas terras e águas /
com palmeiras e verdejar /
e marimbondo a versejar /
(a poesia lírica do marimbondo /
épica em Camões e canhões nos ferrões /
que picam e ficam na ferida onde houve a picadura /
com dor para envergadura de condor nas alturas dos Andes /
aonde voou a poesia de Castro Alves /
elevada e andina e condoeira /
da envergadura do condor a planar sobre a Cordilheira dos Andes /
A cascata do rio São Francisco canta a noite inteira /
depois que o tempo diminui o ritmo /
no pingar do orvalho em madrigal na madrugada /
que em si é um madrigal /
musical com trovadores românticos /
em eufêmias de amor /
na cantiga de amor /
na cantiga de amigo /
Contudo Alice não cantava /
nem uma amarela canção de beco /
um pintainho amarelinho que Dorival Caimy punha fora /
na canção que compunha e gorjeava /
o poeta popular da Bahia de todos os santos /
travestidos nos orixás da África /
Apenas lavava lá em casa /
a trouxa de roupa /
sobre a cisterna /
que tinha um bizarro mecanismo /
para trazer a água do lençol freático /
que imagino havia lá no subsolo profundo... /
onde o menino olhava maravilhado /
- para o menino o mundo e a maravilha! /
tudo é tão novo /
quanto o menino e seus sentidos /
a captar o mundo /
em tanta vastidão de coisas a ver /
cheirar, degustar, sentir, enfim... /
- o menino é um reino à parte /
do reino animal do homens... /
Ela lavava lá em casa /
sem lá lá lá... : lá em casa! /
sobre a cisterna aberta e funda /
Torcia e batia a roupa /
ante meus olhos de menino engolindo o mundo /
gulosos olhos curiosos /
pretos olhos grandes de anum assustadiço /
a voar pelos esgalhos que o dia punha nos arbustos /
floridos ou desfolhados galhos na decaída do outono /
decídua temporada de folhas amarelentas /
a girar lentas no ar /
até cair no chão folhado /
ou folheado a amarelo carmelo /
com algumas flores pulando de pára-quedas das árvores /
e outras vindo pousar de helicóptero /
de uma árvores com flores brancas /
- flores helicoidais /
que giravam no ar qual helicóptero Apache /
brancas como noivas de vestido branco /
mais alva que a flor de laranjeira na barra da alva /
( flor de alba /
Alice era uma flor de alba /
da grande barra da alva /
que lava o areal da orla do rio São Francisco /
Era algo alva ou de alba /
filha da manhã antes da luz dilucular /
na madrugada gelada /
conquanto sua pele fosse do amarelo /
tinta na cor amarela da janela /
da gelosia ou da parede interna da casa /
- da casa interior amarela /
que fica na aldeia da imaginação do pintor Marc Chagall /
- na vila do poeta onde chegou o circo-de-cavalinhos!...
para sempre menino!...
- até a tragédia escatológica /
a tragédia da morte fria e escura /
com máscara sem orifício para os olhos! ) /
Era velha e morava numa casa de doida /
- casa onde a noite habitava em todas as trevas /
com todas as partes mais negras revestidas de trevas /
- casinhola a tecer trevas num novelo /
uma tela para cobrir a saudade da Penélope de Odisseu... /
que a vida é esta espera /
de alguém ou algo que jamais chega ao destino /
mesmo no batel ou no planador no bergantin... /
- o destino é sem fim /
e o itinerário traçado pela bússola do imaginário /
é somente caminho de água ou terra ou céu sem fim de azul ou cinza... /
para penitente com cinzas sobre a cabeça e cilício /
e vestido com sacos para o desfile do mendigo /
- que é o homem ( nós, cavalheiros à beira-mar!
aguardando o batel... ) /
Numa casa de louca /
desaparecida no amarelo /
olvidada pelo amarelo /
que esquecera a cor das paredes internas e externas /
amarelo flácido /
se há flacidez visível no amarelo /
revestido de uma tonalidade cromática que amarelecia o olho /
numa febre amarela de olhar /
Alice habitava uma casa mancando e quase caindo /
( casa-fantasma que dava medo à lua! ) /
cujas paredes e teto estavam a pique /
sobre a cabeça da pobre velha /
exposta às intempéries /
As paredes escoradas com madeira podre por colunas /
e em companhia solitária dos cães /
que velavam as velas a soprar a vasta vela noite /
até atingir o ápice do branco na vela da barra da alva /
- branca vela de veleiro nos olhos em paz de pombas /
depois de arregalados e revirados /
até o vidrado final /
no bizarro orgasmo da morte /
última parceira sexual amorosa /
Ali naquela casa a pique /
casa à deriva /
Alice alimentava o fogo na vela /
ou no candeeiro antigo e amassado /
( a vida de Alice estava amassada na massa /
que a gravidade amassa na massa /
na massa do átomo e da molécula /
na massa de um planeta ou de uma grande estrela ou galáxia /
na massa falida /
e na massa popular /
massa de manobras do demagogo ) /
Alice não tinha pais nem país algum /
( nenhum Brasil queimava sua brasa no pau ali /
- passava bem sem pau-brasil ) /
nem tampouco homem ou filha /
não tinha história nem tampouco estória /
mas uma ou outra lenda negra /
rondava sua vida /
- macabra lenda de mulher solitária e em perpétua solitude /
que era uma eremita sem o ser /
sem querer ou saber de ermitoa /
sem cacoete para sóror /
- era ermitoa ao modo próprio /
também pelas circunstâncias da vida /
e continuou sendo foi eremita sobre a terra /
uma erva só na terra longa em léguas e alqueires /
até perder os olhos de vista /
para a morte negra /
na morte escura /
que mascara a treva /
mascara os olhos /
tapa a luz dos olhos /
desfaz a luz num borrão /
ignora Lúcifer /
faz cair e jazer em terra /
- nos subterrâneos de Hades /
até que a alma ascenda ao descendente /
que aspira seu corpo em podridão no chão /
e respire aspirando-a para cima /
na primeira inspiração /
soada antes na sopro de Deus na trombeta /
e inflando assim os pulmões de Alice /
em nova parte feita de seu corpo /
com outros corpos /
que pisaram sobre ervas daninhas /
no solo argiloso e nada ardiloso /
raiz para pés /
Alice sempre esteve alienada /
- exilada do país das maravilhas /
aonde não palmilhara peregrina /
andarilha andorinha /
- não conhecera lebre ou chapeleiro maluco /
nem tampouco a rainha branca ou escarlate /
Talvez quem sabe /
na consonância da lenda lúgubre /
que se tecia ante ela /
na sua vida despojada ao extremo /
tivesse uma filha /
que ficara sob a vegetação do tempo /
nos esgalhos retorcidos da primavera pondo flores /
nas formas arbóreas que estendem galhos em esgares /
como se fossem mãos ou carantonhas de bruxas biltres /
Uma filha!...: era o balbucio, o sussurro das vozes do tempo /
na faringe ou laringe de mães ou minha avó... /
- um filha! que poderia ser encontrada /
no País das Maravilhas /
que dista um sonho daqui e dali /
- Dali ou de lá ou acolá /
conforme a audácia ou temeridade encontradiça na obra de um salvador /
dali ou de cá ou quiçá de acolá /
- de um Salvador Dali! /
um salvador de Alice /
que por certo não seria Jesus!...) /
São Francisco descalço nos seixos da cachoeira em cantilena monótona /
- um rio cantante na terra /
à flor da terra /
ou sobre a pedra acinzentada /
vergastada pela água translúcida /
com as madeixas encaracoladas /
escacheantes /
como cabelos de deusa grega
ninfa ou nereida /
Não batia roupa na pedra rígida /
consoante sói às lavadeiras /
no ancho rio onde o peixe pulula..: /
no principio Deus criou o peixe /
empós por o espírito a cismar sobre as águas /
- a pensar no pensamento do momento /
monumento ao homem do vulgo /
que é a metafísica de Aristóteles /
a fisiognomonia do filósofo... /
Alice era triste e só /
monja sem eremitério ou ermida /
nem nada teologal /
escassa instrução /
nenhum vislumbre intelectual /
humílima sabedoria /
ao gosto dos frades menores sob a ternura de Francesco /
Soturna, macambúzio semblante , indolente ou esquecida de si
nem cantava ou harpa tocava /
tocava o olho na harpia /
que voejava na abóbada celeste /
que é um violinista celeste, azul /
ou cimo de inflorescência anil /
Nenhuma cantilena vinha de sua voz /
mesmo se fosse de improviso /
numa inspiração repentina /
a mirar e ouvir a água cantante batendo na pedra /
descendo na cachoeira de cabelos escachoantes /
aos cachos de deusa grega com espuma /
- com as "espumas flutuantes " escritas por Castro Alves /
excelso poeta destas terras e águas /
com palmeiras e verdejar /
e marimbondo a versejar /
(a poesia lírica do marimbondo /
épica em Camões e canhões nos ferrões /
que picam e ficam na ferida onde houve a picadura /
com dor para envergadura de condor nas alturas dos Andes /
aonde voou a poesia de Castro Alves /
elevada e andina e condoeira /
da envergadura do condor a planar sobre a Cordilheira dos Andes /
A cascata do rio São Francisco canta a noite inteira /
depois que o tempo diminui o ritmo /
no pingar do orvalho em madrigal na madrugada /
que em si é um madrigal /
musical com trovadores românticos /
em eufêmias de amor /
na cantiga de amor /
na cantiga de amigo /
Contudo Alice não cantava /
nem uma amarela canção de beco /
um pintainho amarelinho que Dorival Caimy punha fora /
na canção que compunha e gorjeava /
o poeta popular da Bahia de todos os santos /
travestidos nos orixás da África /
Apenas lavava lá em casa /
a trouxa de roupa /
sobre a cisterna /
que tinha um bizarro mecanismo /
para trazer a água do lençol freático /
que imagino havia lá no subsolo profundo... /
onde o menino olhava maravilhado /
- para o menino o mundo e a maravilha! /
tudo é tão novo /
quanto o menino e seus sentidos /
a captar o mundo /
em tanta vastidão de coisas a ver /
cheirar, degustar, sentir, enfim... /
- o menino é um reino à parte /
do reino animal do homens... /
Ela lavava lá em casa /
sem lá lá lá... : lá em casa! /
sobre a cisterna aberta e funda /
Torcia e batia a roupa /
ante meus olhos de menino engolindo o mundo /
gulosos olhos curiosos /
pretos olhos grandes de anum assustadiço /
a voar pelos esgalhos que o dia punha nos arbustos /
floridos ou desfolhados galhos na decaída do outono /
decídua temporada de folhas amarelentas /
a girar lentas no ar /
até cair no chão folhado /
ou folheado a amarelo carmelo /
com algumas flores pulando de pára-quedas das árvores /
e outras vindo pousar de helicóptero /
de uma árvores com flores brancas /
- flores helicoidais /
que giravam no ar qual helicóptero Apache /
brancas como noivas de vestido branco /
mais alva que a flor de laranjeira na barra da alva /
( flor de alba /
Alice era uma flor de alba /
da grande barra da alva /
que lava o areal da orla do rio São Francisco /
Era algo alva ou de alba /
filha da manhã antes da luz dilucular /
na madrugada gelada /
conquanto sua pele fosse do amarelo /
tinta na cor amarela da janela /
da gelosia ou da parede interna da casa /
- da casa interior amarela /
que fica na aldeia da imaginação do pintor Marc Chagall /
- na vila do poeta onde chegou o circo-de-cavalinhos!...
para sempre menino!...
- até a tragédia escatológica /
a tragédia da morte fria e escura /
com máscara sem orifício para os olhos! ) /
Era velha e morava numa casa de doida /
- casa onde a noite habitava em todas as trevas /
com todas as partes mais negras revestidas de trevas /
- casinhola a tecer trevas num novelo /
uma tela para cobrir a saudade da Penélope de Odisseu... /
que a vida é esta espera /
de alguém ou algo que jamais chega ao destino /
mesmo no batel ou no planador no bergantin... /
- o destino é sem fim /
e o itinerário traçado pela bússola do imaginário /
é somente caminho de água ou terra ou céu sem fim de azul ou cinza... /
para penitente com cinzas sobre a cabeça e cilício /
e vestido com sacos para o desfile do mendigo /
- que é o homem ( nós, cavalheiros à beira-mar!
aguardando o batel... ) /
Numa casa de louca /
desaparecida no amarelo /
olvidada pelo amarelo /
que esquecera a cor das paredes internas e externas /
amarelo flácido /
se há flacidez visível no amarelo /
revestido de uma tonalidade cromática que amarelecia o olho /
numa febre amarela de olhar /
Alice habitava uma casa mancando e quase caindo /
( casa-fantasma que dava medo à lua! ) /
cujas paredes e teto estavam a pique /
sobre a cabeça da pobre velha /
exposta às intempéries /
As paredes escoradas com madeira podre por colunas /
e em companhia solitária dos cães /
que velavam as velas a soprar a vasta vela noite /
até atingir o ápice do branco na vela da barra da alva /
- branca vela de veleiro nos olhos em paz de pombas /
depois de arregalados e revirados /
até o vidrado final /
no bizarro orgasmo da morte /
última parceira sexual amorosa /
Ali naquela casa a pique /
casa à deriva /
Alice alimentava o fogo na vela /
ou no candeeiro antigo e amassado /
( a vida de Alice estava amassada na massa /
que a gravidade amassa na massa /
na massa do átomo e da molécula /
na massa de um planeta ou de uma grande estrela ou galáxia /
na massa falida /
e na massa popular /
massa de manobras do demagogo ) /
Alice não tinha pais nem país algum /
( nenhum Brasil queimava sua brasa no pau ali /
- passava bem sem pau-brasil ) /
nem tampouco homem ou filha /
não tinha história nem tampouco estória /
mas uma ou outra lenda negra /
rondava sua vida /
- macabra lenda de mulher solitária e em perpétua solitude /
que era uma eremita sem o ser /
sem querer ou saber de ermitoa /
sem cacoete para sóror /
- era ermitoa ao modo próprio /
também pelas circunstâncias da vida /
e continuou sendo foi eremita sobre a terra /
uma erva só na terra longa em léguas e alqueires /
até perder os olhos de vista /
para a morte negra /
na morte escura /
que mascara a treva /
mascara os olhos /
tapa a luz dos olhos /
desfaz a luz num borrão /
ignora Lúcifer /
faz cair e jazer em terra /
- nos subterrâneos de Hades /
até que a alma ascenda ao descendente /
que aspira seu corpo em podridão no chão /
e respire aspirando-a para cima /
na primeira inspiração /
soada antes na sopro de Deus na trombeta /
e inflando assim os pulmões de Alice /
em nova parte feita de seu corpo /
com outros corpos /
que pisaram sobre ervas daninhas /
no solo argiloso e nada ardiloso /
raiz para pés /
Alice sempre esteve alienada /
- exilada do país das maravilhas /
aonde não palmilhara peregrina /
andarilha andorinha /
- não conhecera lebre ou chapeleiro maluco /
nem tampouco a rainha branca ou escarlate /
Talvez quem sabe /
na consonância da lenda lúgubre /
que se tecia ante ela /
na sua vida despojada ao extremo /
tivesse uma filha /
que ficara sob a vegetação do tempo /
nos esgalhos retorcidos da primavera pondo flores /
nas formas arbóreas que estendem galhos em esgares /
como se fossem mãos ou carantonhas de bruxas biltres /
Uma filha!...: era o balbucio, o sussurro das vozes do tempo /
na faringe ou laringe de mães ou minha avó... /
- um filha! que poderia ser encontrada /
no País das Maravilhas /
que dista um sonho daqui e dali /
- Dali ou de lá ou acolá /
conforme a audácia ou temeridade encontradiça na obra de um salvador /
dali ou de cá ou quiçá de acolá /
- de um Salvador Dali! /
um salvador de Alice /
que por certo não seria Jesus!...) /
quarta-feira, 15 de junho de 2011
ENDORFINAS ( wikcionario wik dicionario wiki etimologia otto )
Náufrago que deu na alva areia /
que peneira a ilha /
- sou Robinson Crusoé! /
o solipsista Robinson Crusoé /
Também sou e sei que sou a areia branca /
alva areia, areal extenso.../
e a praia na costa litorânea que se espraia /
a praia lânguida na orla marítima /
na languidez do havaiano /
com o vento ainda menino traquinas /
balouçando nos braços dos coqueiros /
verdes cordas em olhos de tocar o vento com carinho /
- ternura de Chopin ao piano /
Sou o mar lambendo o sal /
- sal que sou em minha solidão solar /
solícito com solidéu /
e solitude anil levantada ao céu /
alçada até ao azul em cimo /
no paco-paco-papaco peco do pico /
com potes de chuva potável /
com o ápice do anil franqueado a olhos d'água vistos cheios /
( a olhos vistos nos olhos d'água sem mágoa na água ) /
veios seios cheios de enleio no leito /
da ribeira que corre na beira da cachoeira /
com a cabeleira de deusa grega em cachos na espuma flutuante /
anotada por Castro Alves em poesias /
Oh! solitude que mensuro /
- solitude ante mim e meus olhos no horizonte /
que já mentiu o anil /
do qual omitiu o til /
pois há um til fora do anil /
vil til do bem-te-viu /
que ti viu anil no céu /
anilado pela anileira /
cujo plantio é de ponta cabeça /
( planta plantada de ponta-cabeça!) /
Sou Robinson Crusoé exausto na costa leste /
latitude longitude olhada de esguelha na olhadela dela /
da bela amarela na pintura de Modigliani /
que espraia a vela perdida no horizonte /
longe da orla onde /
o naúfrago bateu em areia /
( e o que é bateia? /
Pergunta sem contexto /
exceto com o limo da rima /
- quesito prejudicial /
sem pedra filosofal /
ou Monte Pascal /
em tom clerical /
do tempo medieval /
ó Bernardo de Claraval /
dos beneditino brancos /
contra os beneditinos negros /
cuja irmã vivia no Priorato de Graville /
na solidão do claustro das Cartuxas ) /
Voltando da digressão : /
sou Robinson Crusoé /
sozinho na ilha /
em solitude no mundo /
quiçá no cosmos em contexto grego /
mas não gregário /
enfim no universo com matéria negra /
energia escura permeando todo ato e fato /
tudo tato no mato onde vou até o pé de pato /
e de pequi com caserna para marimbondos e cupim assim /
num mundo de anum mudo sem fim nos confins /
Em pé na areia branca /
com a barra da alva na mão /
e uma flor de laranjeira nos olhos /
o odor da flor de laranjeira nas narinas /
e no vento que passa pelos pelos do nariz /
simples assim sim /
Robinson Crusoé sou /
me escrevendo e me lendo /
nas dupla pessoa do discurso /
locução interlocutória com monólogo e redundância redonda /
no eclipse da elíptica /
prevista na hipótese da equação elipsóide /
uma sentença aberta /
escrita em natura o que está grafado e desenhado no pé de pequi /
que olha do verde das duas folhas e ri /
em frutos encapsulados em verde envoltório /
relicário cujo verdor guarda no anjo da guarda /
o ouro amarelo do fruto /
que é fruta fresca na legislação tributária /
isenta de tributos pelo fisco em Minas /
a mancheias nos campos gerais /
das minas gerais de frutos do cerrado /
filão de frutos e flores /
ervas daninhas e arbustos /
lianas pela flexibilidade das cobras que serpenteiam /
pelo poder da peçonha da jararaca /
Se eu escrevesse um diário /
tipo o diário de Anne Frank /
narrando os horrores inenarráveis da guerra /
que é mais guerra durante a paz das pombas /
diria que hoje e todo dia /
é dia de estratégia para armar a guerra /
mesmo na paz das igrejas /
eivadas de guerras semiológicas /
e batalhas teológicas /
refregas lógicas /
para desgosto das pombas de colarinho azul-pombal /
azul qualquer coisa além do céu de anil puro /
bebida da planta /
que dá um suposto sumo anil /
de anileira desplantada do azul do céu anil /
arrancada com raiz da terra negra da noite do anu /
- anum num bando que forma as moléculas de trevas /
a mole das trevas no edifício da noite /
feminina nos olhos e nos longos cabelos /
penteados com esmero /
Se começasse um diário hoje /
diria que todo dia é hoje /
ontem e amanhã é meramente abstracto, /
abstracção de um pedaço do espaço que chamamos tempo /
a porção móbil do espaço /
o pedaço que se desloca por ser leve /
de pequena massa ou mole /
no sentido da mole do edifício /
que se vê á distância /
e da mole que forma a palavra molécula /
exprimindo o significado de massa no radical /
não importando se grande ou pequena quantidade de massa /
se na mole do edifício ou no corpúsculo formado por moléculas /
como a mole da água corrente /
esbravejante na torrente veloz /
descendo pela escada do rio /
como se água fossem anjos a descer e subir na escada de Jacó /
( Sem embargo dos percalços que os há /
lá para lá do luar (bah!) /
há um ontem abstracto, /
abstraído da realidade do hoje, /
espaço em tempo real, natural, objectivo /
e objecto dos sentidos : /
objecto abstrato, ente mental, /
que é ontologicamente,/
mas não existe,/
não está no mundo, /
porém estava naquele tempo abstracto que denominamos ontem /
que a onomástica cobre tudo em equações de sentido ) /
Hoje(sic), no entanto, /
vejo o tempo como o espaço móvel,/
o espaço com mobilidade
ou, abstraindo o espaço, a mobilidade, o movimento ; /
enfim e menos abstractamente falando : /
hoje vejo o motor, /
conquanto o motor seria o que impulsiona o movimento /
e então "complexica" e "perplexica" o conceito de movimento /
para ironizar a perplexicação e complexicação /
ou a abstracção percebida no conceito anterior /
enfocada na concepção anterior de tempo /
não para inovar ou inferir outra categoria temporal /
porquanto o tempo é motor que se move sem motor /
arranco sem torque de quinhões do espaço /
elucubrados depois em equações com derivadas parciais /
que cantam o canto de Planck e Einstein /
( equações da luz e da propagação das ondas /
- equações de tudo o que se move /
e é motor ao se tornar móvel ) /
Sou Robinson Crusoé até na concepção do tempo /
não apenas algo que está na cadeia das palavras /
mas que transcende à teia das palavras /
que é uma teia conecta tal qual a da vida /
ou o ciclo da água ou do motor Otto de combustão interna /
mas também no entendimento que tenho de tempo /
de discrepa de Einstein e Newton( ai de mim!) /
e põe no mundo o tempo não apenas como algo natural /
consoante sói à filosofia natural /
porém põe o tempo como vocábulo /
que é algo que refoge à realidade plena /
e se refugia na realidade enquanto algo dado aos sentidos /
e que depois intelectualizamos no desenho do conceito /
e põe o tempo no mundo para além do simples ato de pensar /
e que pensa com a voz da filosofia natural que o tempo é objeto
presente no real /
e não apenas objecto dos sentidos ou da razão /
que observa os fenômenos no mundo contando-os /
graças ao intelecto humano e a diversidade dos indivíduos /
bem como pelo poder do uso da razão /
( exclua a grei miserável /
intelectualmente inerme /
inerte amorfa massa /
para os quais somente há uma resposta /
e uma verdade alheia a eles /
que não conseguem ser indivíduos /
porém apenas grupos /
rebanhos no pasto ) /
tirante estes infra /
há tantas respostas quantos indivíduos ,/
tantas verdades quantos são os indivíduos /
e se contam as inteligências não como sete /
porém quantos são os indivíduos /
também são as inteligências humanas /
graças a Voltaire e depois a Deus /
( natureza, da qual Deus é o símbolo mais palpável e sensível à
textura antropológica e
cêntrica, /
centrípeta força )./
Na verdade ( que é o bom em grego em grego antigo ) /
não existe a verdade, mas a filosofia; /
mas fora do falar grego tangendo para a metafísica /
nem a sequer existe a filosofia há... /
- o que há são filósofos /
meras representações do homem /
( alienação do homem em filósofo /
um ser menos que o homem /
porquanto o homem é tudo : /
monge, médico, monstro, gari, poeta, advogado, doméstica..../
enquanto o filósofo é apenas filósofo /
- um pedaço do ser do homem /
que nem é um homem /
porque parte do homem /
alienado numa profissão de fé /
mesmo no existencialismo ateu ) /
Não obstante, sou Robinson Crusoé /
uma personagem fictícia que encarno /
que somente é em mim /
no bojo do meu ser /
Sinto-me Robinson Crusoé num diário sem diálogo /
( Robinson Crusoé, cujo livro leio, li ontem ) /
Sou Robinson Crusoé /
e simultaneamente sou Anne Frank /
comentando a vida /
olhando para o espelho do tempo no pó da luz /
Ademais, a luz em pó no espelho do tempo em pó /
caído com o anjo decaído no pó do solo para ervas daninhas, /
( dente-de-leão no chão com a forrageira do anil por cima /
em céu de mil azul com flor azul ) /
dá-me olhos e olhar /
para perceber a luz que olho e faz o olho /
( faz o olho com um bisturi de luz ou obsidiana ) /
guardada na redoma do ato natural de fazer pensando /
Meditando silente olho o olho da luz /
olho no olho da luz /
( a luz é o olho que fabrica o olho e o que olho ) /
onde nado e navego com o olhar /
barco para outro mar à vela /
puro veleiro aproando à sotavento /
Nado na luz com os olhos /
piso na luz e nela abro uma picada /
um caminho que vai aos peixes /
que nadam dentro de mim em pensamento /
e fora de mim no azul para pássaro /
que outro nome que se dá aos crustáceos /
que voam incrustados no céu de pedra preciosa tracejada a lápis-lazúli /
ou viaja pelos olhos no azul da ametista /
viandante à sombra do teque-teque /
ou do atum no mar sem anum /
porquanto um anum no céu é quinhão de noite /
todavia um bando de anum faz a noite ser um anu-preto enorme /
esticado qual tapete persa num céu vivo /
para pássaros no azulão do dia /
e morcegos negros no negrejar da noite /
na calada da escura rumando para anum /
tecendo anu na maré alta em ondas negras /
de mar da noite /
pois a noite é um mar negro /
e uma necromante bela com cabelos longos nigérrimos /
de mulher jovem em pleno poder sexual /
no império sexual vasto da bela mulher /
longas as madeixas tal qual o império dela /
sobre os pobres romanos em campanha /
contra a rainha Cleópatra /
lá do Egipto antigo e fixo nas pirâmides /
signos e símbolos eternos /
que fazem pó da luz no espelho /
onde se olha a bela /
aonde ela vai mergulhar na luz /
com mel e leite no oceano perpétuo de luz /
que desmancha o tempo em pó /
e mantém rígidas as pedras das pirâmides /
e as rochas e gemas dos olhos /
asseverando que eu sou o tempo /
no azul do pássaro sobre as cordilheiras de costa a costa /
no verde abissal matizado nas algas que ambienta o molusco e o
tubarão-cabeça-de-martelo /
e no anul do céu aberto escuro para morcego e coruja pia /
que vasculha e bisbilhota a calada escura sem escusa /
- sou a substância do tempo /
e mesmo a gosma nojenta que move o espaço no caramujo /
porquanto espaço é porção do tempo deslocada /
movida como a areia que o vento toca /
- e toca viola, ó violeiro bom! /
Sou Robinson Crusoé e o mundo é minha ilha /
sendo o mundo o corpo que me circunda /
e o tanto de água para mar que sou /
em meu estado físico da matéria /
( expressão estúpida e científica, pomposa.
A estupidez científica é menos estúpida? /
ou menos estupidez ?! ) /
Se eu começasse um diário hoje ( amanhã?) /
tipo Anne Frank /,
o diário de Anne Frank, /
escreveria sobre a guerra /
tal qual Anne Frank escreveu /
sempre sobre a maldita guerra /
cavaleiro da peste e da fome /
cavaleiro negro da desgraça /
- a guerra é o demônio solto a cavalo /
galopando no mundo /
predador pronto e apto máxime para matar /
ferir com peste negra e fome amarela /
sobre o cavalo amarelo /
que galopa fosco no lusco-fusco /
até destruir o caminho do trigo /
até apagar as marcas dos pés do milho /
até apagar o fosco do amarelo no sol /
apagar o espectro amarelo nos pés descalços do trigo /
que anda até o pão /
este andarilho de longa peregrinação /
que é o trigo e o milho em bonecas com bastas cabeleiras /
para brincar de vida com as meninas /
( porque estamos em tempo de guerras /
quando todos os diabos estão no tempo /
como motor do mundo /
que gira sob seus pistões /
e, entretanto, teimam em dar o prêmio da paz para o promotor da guerra /
o senhor do conflito bélico /
onde pousa a águia peregrina /
e o falcão peregrino /
a fim de inviabilizar a percepção da guerra /
e desviar as ondas senoidais /
para a semiologia de guerra , sem paz, /
que comunica os horrores de um campo de concentração /
e um genocídio pretérito /
( holocausto é vocábulo mais caro ao desgosto dos irmãos judeus, ó
Kafka, Kiekiegaard! /
no abstracto aberto a todo pano
ao veleiro da imaginação no vento que sopra o deus Eolo da Grécia /
antiga, fazendo o presidente do império atual parecer a paz da paz, /
que a grei católica gosta de ver como o consolador Espírito Santo, /
um estado da alma mitificada /
ou mística na rosa e na cruz /
ambas pelo mar escarlate do sangue /
grego judeu romano celta vândalo godo visigodo /
engodo é que não é )./
Sou Robinson Crusoé numa ilha do pacífico,/
talvez atlântico, ou atlante, /
e mal grado a solidão monástica, estou em guerra, /
apesar da solitude de longa terra para um povo de pés no Rio Pó, /
paradoxalmente, estou sem paz, ainda à sombra das pombas /
porquanto não me deixo em paz à sombra dos caminhos /
que descaminham antípodas /
e fogem dos chinelos
das sandálias franciscanas ou havaianas
ou dos pés descalços das carmelitas descalças /
nos caminhos incansáveis e longos nas areias para os pés exaustos dos
pacificadores /
marcas nas areias velhas das ampulhetas /
que olham com cintilação das estrelas /
lá de cima da Nebulosa do Relógio de Areia. /
Sou Robinson Crusoé /
não obstante se eu fosse escrever um diário /
não seria como o de Anne Frank, /
embora ela descrevesse os horrores da guerra /
e eu saiba desses horrores dos homens no "front" cotidiano, /
da batalha perdida quotidianamente para o maldade humana /
Não falaria de mim /
( e estaria, inobstante, escrevendo sobre mim, uma auto biografia, /
ou quiçá "Memórias de um cínico com gosto de Menipéia" /
pois mesmo falando de objetos e de outros seres humanos, /
estou a falar de mim por meio desse reflexo do meu ego /
ou subjetividade ( objecto subjacente é o pensamento ) /
no que observo e ponho como objeto do meu logos não
grego, /
da lógica, Farol de Alexandria metafórico e real /
na simultaneidade que é o pensamento, /
ser no qual não se separa o tempo do espaço, /
conquanto nas palavras que traduzem o pensamento /
venha a abstracção, que não entra na intimidade do pensamento, /
o ser que nos põe no mundo enquanto seres pensantes /
e não apenas perceptivos e ativos pelo corpo. /
Agimos também e principalmente, e antes do tempo, pelo pensamento), /
falaria da minha idéia que perpassa, una, coerente, /
a tudo o que faço de objecto./
( Ah! a propósito! ( cruel propósito) : adoro os textos da
Menipéia...mande-mos mais /
ó monólogo em forma de leitor /
que me lê ou não /
ou que me leio enquanto escrevo e o pós-escrito /
pois eles ( os textos ) estão no plasma social, econômico, político,
axiológico, /
dentre outros universos correlatos /
( e todos os universos, no caso, são universos bolhas, /
paralelos, alelos, tais quais genes, /
processados no "sabat" ( "sabá") judaico e grego, /
os quais são alguns dos símbolos e arquétipos /
fundantes e constitutivos da mente humana, /
templo da ociosidade perpétua ) /
Eu sou Robinson Crusoé /
e tenho um modo de pensar e ler /
uma tese ( território ) no mundo /
e toda uma economia e um mercado negro /
não existiriam sem mim /
e seriam afectados por um ato hipotético, /
da minha inexistência real ou ficta /
social e individual /
pois se sou Robinson Crusoé /
devido à minha auto-consciência /
outrossim minha consciência me diz e assinala /
outros Robisons Crusoés no mundo /
captados pelos meus sentidos /
e também mensura a realidade e irrealidade /
da ficção que sou passando pelo caminho da natureza /
da física que me circunda e penetra o corpo /
ainda na mente com a dopamina e as endorfinas /
( porquanto a ficção tem existência mas não vida /
é real no ser que o pensamento faz com a imaginação e o significado /
e irreal em natureza física ) /
que, todavia, pode se tornar real /
ao nascer o "ovo" que encete o contexto ou teia /
que faça existir outro modo de pensar e ler /
o mundo social e, consequentemente, transcrevê-lo para o direito,/
ou seja, normalizá-lo, porquanto muito do que existe no mercado negro,/
ou é produto ou mercadoria do supramencionado mercado,/
se deslocaria para o mercado livre /
( não o do site homônimo, claro),/
mas para o mercado ordinário, /
livre ou regulamentado em lei, quando fosse o caso /
e se fosse, quando fosse. /
Sou Robinson Crusoé /
enquanto idéia e ideal /
com uma ideologia política /
ou céptico e mesmo cínico /
crítico sarcástico e incréu /
( As ideologias são complexos à parte, /
inclusive à parte do mundo real, da realidade, /
pois, obviamente, são idealidades, /
mas, concomitantemente, são mais que idealidades e realidades, /
são seres, entes mentais da espécie das Quimeras, centauros, /
entes cujos existência é meio real e meio ficta,/
corpos de dubiedades, /
se pudermos usar essa expressão ambígua /
para tentar exprimir essa ambiguidade lógica, real e imaginária /
ao mesmo tempo e no mesmo espaço mental e social ) /
assim como ferindo interesses de vários grupos poderosos /
que desejam que tudo continue /
como dantes sem quartel de Abrantes.) /
Sozinho no mundo /
sou Robinson Crusoé entre ilhas Maldivas /
usufruindo de plena solitude /
de quem está no campeonato de moto velocidade /
( motovelocidade é Valentino Rossi /
ninguém mais que Valentino Rossi ) /
com um adversário há mais de 20 segundo atrás /
e o outro 25 segundos à frente /
sem importar as posições do solitário em pista /
- piloto em solitude no autódromo /
e solidão na alma que acelera a Yamaha /
ganhando força no motor Otto /
ciclo Otto do motor /
roncando no torque da motocicleta /
do doutor Valentino Rossi /
um ilustre e típico representante da ordem da cavalaria medieval /
( cavaleiros de Malta e templários e hispitalários /
e um cavaleiro de triste figura escanchado desdenhosamente sobre um
rocim fraco /
na aventura quotidia na sob o põe das auroras em forma de rocio /
- claro rocio que gurada a imagem da lua amarela e recordata no papel /
de lua minguante ou quarto crescente /
ou novilúnio ou plenilúnio quando álacre e sorridente no céu negro ) /
- cavaleiro negro foragido de um Apocalipse escrito em rolos de pergaminho /
sob o capacete (antigo elmo do ambulante Dom Quixote de la Mancha ) /
e balaclava dentre outros adereços bélicos /
reminiscência de fato historial /
talhado no pó da armadura do cavaleiro templário medievo /
ainda em pé depois da vasta história e batalhas /
escritas com o sangue no fio da espada /
do monge e guerreiro na cruzada santa /
senhor da guerra do deus Marte /
e da paz do Jesus Cristo clerical medieval /
Cavalgando entre as ruínas da solidão /
ao ruído estridente(?) do motor Otto /
( lá vai o douto Valentino Rossi!) /
longe latitudes e longitudes das pradarias verdejantes /
mas dentro da minha alma na campina /
onde gorjeia o galo-da-campina ( Paroaria dominicana ) /
tribo de ave passariforme cuja família é a Fringilliidae /
na verdade é uma clade da família Passeridae ) /
fico eu cismando e cavando na flor do imaginário /
um espaço amarelo outro azul /
consoante faz a flor com suas pás com substância tiradas ao espectro da luz /
que desce lá do vôo peregrino da arara azul /
para a floração que cultiva o anil sobre o espaço incolor /
assim como fazem as flores com um ancinho /
pás e picaretas da matéria ondulatória da luz /
com as quais cavocam um espaço amarelo ou azul trombeta /
um pouco acima do solo /
cavado em anil meio-pedaço de céu /
ou o amarelo tomado às tintas das borboletas /
adejando na parte do espaço incolor /
movidas pelo tempo /
que não passa de um pedaço ou favo do espaço /
que ganhou energia com um movimento /
um moto remoto ignoto /
da equação algébrica descrevendo o primeiro motor /
ou primeiro movimento /
com motivo em flor anil /
ou amarelo primaveril /
cavando o espaço branco com duas pás do arco-íris /
iris dos olhos adentro /
ladeados no espaço branco do olho /
que cava a cor amarela e anil /
e o movimento no espaço em deslocamento /
que os algebristas chamam tempo ou função na equação literal /
Em solitude no cosmos imenso /
aberto em céus e espaço sideral /
fico assustado quando vejo /
um fantasma entrar /
ou passar rápido pelos meus olhos errantes na esteira de poeira da luz /
( seria um avantesma ou outro ego /
do outro lado deste mundo em que estou /
cravado como pedra no meu ego /
ou o que quer que seja minha subjectividade /
se a há de fato ) /
Sozinho no universo /
olho estrelas esparsas na noite /
e a estrela do dia /
no amarelo do sol em lápis de cor de Juan Miró /
( ai! que me lembro da infância das crianças que amei /
amor hoje assentado no pó do tempo /
que passou na velocidade do motor em equação de calor /
se não fosse o bebê que levo ao colo /
para o amor levantar do pó /
alegrar as ervas floridas no âmago do espaço amarelo ou anil da flor /
que colheu um pouco do céu e da mariposa ) /
ou quiçá de Wassyli Kandinsky /
da santa terra negra da Rússia de floresta negra /
bosque de bétulas /
tundras e mujiques cossacos /
homens do barro da terra de Chagall /
senhor e rei da aldeia russa /
Só na terra /
sei que sou monge /
poeta médico sábio erudito cientista músico artista /
guerreiro empresário imperador romano /
filósofo sou eu /
e mais ninguém /
pois não tem ninguém /
senão fora de mim /
e de quem eu preciso cuidar /
amar profundamente /
para que a ponte da alteridade /
seja construída /
em lugar do que era esquizofrenia /
autismo e psicopatia /
paranóia com megalomania /
Mas sou Robinson Crusoe na ilha /
- insulado no corpo /
e na minha mente /
capaz de absorver o infinito /
e o tempo pelo conceito-esperança da eternidade /
bem como o todo mergulhar no nada /
um mergulhão algo ao modo do Martim-pescador ou dos atobás brancos /
porém incapaz de singrar os sete mares de solidão /
que não acham porto seguro sequer na solitude /
nem tampouco na alteridade /
que se esforça com todo o amor /
com a paixão que toma o ar /
com odores corporais de fêmeas florais /
( imaginai as vaginais!) /
Em solitude no mundo /
somos Robinson Crusoe /
frente às gigantescas instituições /
as megalíticas fundações /
com a mole do edifício voltado contra o ser do homem /
escrito nos hieróglifos da solidão da pedra brutal /
ignorando o homem /
assim como o fazem as leis e estatutos das fundações /
associações, sociedades e outros monstros /
do novo eterno mito /
que põe as instituições como titãs heróicas /
e o indivíduo como uma pobre formiga ou barata-Kafka /
a ser esmagada sem piedade /
sob os pés do colosso de Rhodes /
Sou Robinson crusoe insulado da ilha sul /
usurpado do poder sobre mim /
conquanto jogado na solitude /
duma masmorra de leis na torre do castelo /
com a máscara de ferro pesando sobre o rosto /
grilhões nas mãos e pés /
na umidade do ergástulo /
ou na cela do monge medievo /
arrostando sozinho contra e a favor de todas as regras /
da ordem dos monges negros /
os temíveis beneditinos da Inquisição espanhola /
de triste memória /
com enclave entre terras de lenda negra /
- terra na madeira dos navios-piratas /
bandeira negra da caveira a celebrar a morte alheia /
( a morte sempr é alheia /
algo alienado do ser vivo /
olhando par ao que irá animar a caveira desenhada na bandeira /
tremulando ao vento que sopra seu espírito de ar /
da boca de Deus a encher os pulmões /
- as duas árvores da vida plantadas no corpo humano /
separados pelo coração ) /
Sou Robinson Crusoe /
porque somente sinto o mundo como sinto /
tenho a inteligência do mundo como eu sou /
e sendo faço o ser /
- ser o que eu sou e vejo e faço /
( o ser é meu pensamento e percepções misturados /
na união do sentimento e razão /
Sou um monge medievo longe arrastado do tempo /
por um motor alocado no espaço /
( motor que é o próprio tempo /
sendo o tempo nada mais que uma parte do espaço /
que se movimenta e movendo-se vira tempo /
ou se desdobra na palavra tempo /
que o acolhe em conceito /
esse novo fato natural ) /
que peneira a ilha /
- sou Robinson Crusoé! /
o solipsista Robinson Crusoé /
Também sou e sei que sou a areia branca /
alva areia, areal extenso.../
e a praia na costa litorânea que se espraia /
a praia lânguida na orla marítima /
na languidez do havaiano /
com o vento ainda menino traquinas /
balouçando nos braços dos coqueiros /
verdes cordas em olhos de tocar o vento com carinho /
- ternura de Chopin ao piano /
Sou o mar lambendo o sal /
- sal que sou em minha solidão solar /
solícito com solidéu /
e solitude anil levantada ao céu /
alçada até ao azul em cimo /
no paco-paco-papaco peco do pico /
com potes de chuva potável /
com o ápice do anil franqueado a olhos d'água vistos cheios /
( a olhos vistos nos olhos d'água sem mágoa na água ) /
veios seios cheios de enleio no leito /
da ribeira que corre na beira da cachoeira /
com a cabeleira de deusa grega em cachos na espuma flutuante /
anotada por Castro Alves em poesias /
Oh! solitude que mensuro /
- solitude ante mim e meus olhos no horizonte /
que já mentiu o anil /
do qual omitiu o til /
pois há um til fora do anil /
vil til do bem-te-viu /
que ti viu anil no céu /
anilado pela anileira /
cujo plantio é de ponta cabeça /
( planta plantada de ponta-cabeça!) /
Sou Robinson Crusoé exausto na costa leste /
latitude longitude olhada de esguelha na olhadela dela /
da bela amarela na pintura de Modigliani /
que espraia a vela perdida no horizonte /
longe da orla onde /
o naúfrago bateu em areia /
( e o que é bateia? /
Pergunta sem contexto /
exceto com o limo da rima /
- quesito prejudicial /
sem pedra filosofal /
ou Monte Pascal /
em tom clerical /
do tempo medieval /
ó Bernardo de Claraval /
dos beneditino brancos /
contra os beneditinos negros /
cuja irmã vivia no Priorato de Graville /
na solidão do claustro das Cartuxas ) /
Voltando da digressão : /
sou Robinson Crusoé /
sozinho na ilha /
em solitude no mundo /
quiçá no cosmos em contexto grego /
mas não gregário /
enfim no universo com matéria negra /
energia escura permeando todo ato e fato /
tudo tato no mato onde vou até o pé de pato /
e de pequi com caserna para marimbondos e cupim assim /
num mundo de anum mudo sem fim nos confins /
Em pé na areia branca /
com a barra da alva na mão /
e uma flor de laranjeira nos olhos /
o odor da flor de laranjeira nas narinas /
e no vento que passa pelos pelos do nariz /
simples assim sim /
Robinson Crusoé sou /
me escrevendo e me lendo /
nas dupla pessoa do discurso /
locução interlocutória com monólogo e redundância redonda /
no eclipse da elíptica /
prevista na hipótese da equação elipsóide /
uma sentença aberta /
escrita em natura o que está grafado e desenhado no pé de pequi /
que olha do verde das duas folhas e ri /
em frutos encapsulados em verde envoltório /
relicário cujo verdor guarda no anjo da guarda /
o ouro amarelo do fruto /
que é fruta fresca na legislação tributária /
isenta de tributos pelo fisco em Minas /
a mancheias nos campos gerais /
das minas gerais de frutos do cerrado /
filão de frutos e flores /
ervas daninhas e arbustos /
lianas pela flexibilidade das cobras que serpenteiam /
pelo poder da peçonha da jararaca /
Se eu escrevesse um diário /
tipo o diário de Anne Frank /
narrando os horrores inenarráveis da guerra /
que é mais guerra durante a paz das pombas /
diria que hoje e todo dia /
é dia de estratégia para armar a guerra /
mesmo na paz das igrejas /
eivadas de guerras semiológicas /
e batalhas teológicas /
refregas lógicas /
para desgosto das pombas de colarinho azul-pombal /
azul qualquer coisa além do céu de anil puro /
bebida da planta /
que dá um suposto sumo anil /
de anileira desplantada do azul do céu anil /
arrancada com raiz da terra negra da noite do anu /
- anum num bando que forma as moléculas de trevas /
a mole das trevas no edifício da noite /
feminina nos olhos e nos longos cabelos /
penteados com esmero /
Se começasse um diário hoje /
diria que todo dia é hoje /
ontem e amanhã é meramente abstracto, /
abstracção de um pedaço do espaço que chamamos tempo /
a porção móbil do espaço /
o pedaço que se desloca por ser leve /
de pequena massa ou mole /
no sentido da mole do edifício /
que se vê á distância /
e da mole que forma a palavra molécula /
exprimindo o significado de massa no radical /
não importando se grande ou pequena quantidade de massa /
se na mole do edifício ou no corpúsculo formado por moléculas /
como a mole da água corrente /
esbravejante na torrente veloz /
descendo pela escada do rio /
como se água fossem anjos a descer e subir na escada de Jacó /
( Sem embargo dos percalços que os há /
lá para lá do luar (bah!) /
há um ontem abstracto, /
abstraído da realidade do hoje, /
espaço em tempo real, natural, objectivo /
e objecto dos sentidos : /
objecto abstrato, ente mental, /
que é ontologicamente,/
mas não existe,/
não está no mundo, /
porém estava naquele tempo abstracto que denominamos ontem /
que a onomástica cobre tudo em equações de sentido ) /
Hoje(sic), no entanto, /
vejo o tempo como o espaço móvel,/
o espaço com mobilidade
ou, abstraindo o espaço, a mobilidade, o movimento ; /
enfim e menos abstractamente falando : /
hoje vejo o motor, /
conquanto o motor seria o que impulsiona o movimento /
e então "complexica" e "perplexica" o conceito de movimento /
para ironizar a perplexicação e complexicação /
ou a abstracção percebida no conceito anterior /
enfocada na concepção anterior de tempo /
não para inovar ou inferir outra categoria temporal /
porquanto o tempo é motor que se move sem motor /
arranco sem torque de quinhões do espaço /
elucubrados depois em equações com derivadas parciais /
que cantam o canto de Planck e Einstein /
( equações da luz e da propagação das ondas /
- equações de tudo o que se move /
e é motor ao se tornar móvel ) /
Sou Robinson Crusoé até na concepção do tempo /
não apenas algo que está na cadeia das palavras /
mas que transcende à teia das palavras /
que é uma teia conecta tal qual a da vida /
ou o ciclo da água ou do motor Otto de combustão interna /
mas também no entendimento que tenho de tempo /
de discrepa de Einstein e Newton( ai de mim!) /
e põe no mundo o tempo não apenas como algo natural /
consoante sói à filosofia natural /
porém põe o tempo como vocábulo /
que é algo que refoge à realidade plena /
e se refugia na realidade enquanto algo dado aos sentidos /
e que depois intelectualizamos no desenho do conceito /
e põe o tempo no mundo para além do simples ato de pensar /
e que pensa com a voz da filosofia natural que o tempo é objeto
presente no real /
e não apenas objecto dos sentidos ou da razão /
que observa os fenômenos no mundo contando-os /
graças ao intelecto humano e a diversidade dos indivíduos /
bem como pelo poder do uso da razão /
( exclua a grei miserável /
intelectualmente inerme /
inerte amorfa massa /
para os quais somente há uma resposta /
e uma verdade alheia a eles /
que não conseguem ser indivíduos /
porém apenas grupos /
rebanhos no pasto ) /
tirante estes infra /
há tantas respostas quantos indivíduos ,/
tantas verdades quantos são os indivíduos /
e se contam as inteligências não como sete /
porém quantos são os indivíduos /
também são as inteligências humanas /
graças a Voltaire e depois a Deus /
( natureza, da qual Deus é o símbolo mais palpável e sensível à
textura antropológica e
cêntrica, /
centrípeta força )./
Na verdade ( que é o bom em grego em grego antigo ) /
não existe a verdade, mas a filosofia; /
mas fora do falar grego tangendo para a metafísica /
nem a sequer existe a filosofia há... /
- o que há são filósofos /
meras representações do homem /
( alienação do homem em filósofo /
um ser menos que o homem /
porquanto o homem é tudo : /
monge, médico, monstro, gari, poeta, advogado, doméstica..../
enquanto o filósofo é apenas filósofo /
- um pedaço do ser do homem /
que nem é um homem /
porque parte do homem /
alienado numa profissão de fé /
mesmo no existencialismo ateu ) /
Não obstante, sou Robinson Crusoé /
uma personagem fictícia que encarno /
que somente é em mim /
no bojo do meu ser /
Sinto-me Robinson Crusoé num diário sem diálogo /
( Robinson Crusoé, cujo livro leio, li ontem ) /
Sou Robinson Crusoé /
e simultaneamente sou Anne Frank /
comentando a vida /
olhando para o espelho do tempo no pó da luz /
Ademais, a luz em pó no espelho do tempo em pó /
caído com o anjo decaído no pó do solo para ervas daninhas, /
( dente-de-leão no chão com a forrageira do anil por cima /
em céu de mil azul com flor azul ) /
dá-me olhos e olhar /
para perceber a luz que olho e faz o olho /
( faz o olho com um bisturi de luz ou obsidiana ) /
guardada na redoma do ato natural de fazer pensando /
Meditando silente olho o olho da luz /
olho no olho da luz /
( a luz é o olho que fabrica o olho e o que olho ) /
onde nado e navego com o olhar /
barco para outro mar à vela /
puro veleiro aproando à sotavento /
Nado na luz com os olhos /
piso na luz e nela abro uma picada /
um caminho que vai aos peixes /
que nadam dentro de mim em pensamento /
e fora de mim no azul para pássaro /
que outro nome que se dá aos crustáceos /
que voam incrustados no céu de pedra preciosa tracejada a lápis-lazúli /
ou viaja pelos olhos no azul da ametista /
viandante à sombra do teque-teque /
ou do atum no mar sem anum /
porquanto um anum no céu é quinhão de noite /
todavia um bando de anum faz a noite ser um anu-preto enorme /
esticado qual tapete persa num céu vivo /
para pássaros no azulão do dia /
e morcegos negros no negrejar da noite /
na calada da escura rumando para anum /
tecendo anu na maré alta em ondas negras /
de mar da noite /
pois a noite é um mar negro /
e uma necromante bela com cabelos longos nigérrimos /
de mulher jovem em pleno poder sexual /
no império sexual vasto da bela mulher /
longas as madeixas tal qual o império dela /
sobre os pobres romanos em campanha /
contra a rainha Cleópatra /
lá do Egipto antigo e fixo nas pirâmides /
signos e símbolos eternos /
que fazem pó da luz no espelho /
onde se olha a bela /
aonde ela vai mergulhar na luz /
com mel e leite no oceano perpétuo de luz /
que desmancha o tempo em pó /
e mantém rígidas as pedras das pirâmides /
e as rochas e gemas dos olhos /
asseverando que eu sou o tempo /
no azul do pássaro sobre as cordilheiras de costa a costa /
no verde abissal matizado nas algas que ambienta o molusco e o
tubarão-cabeça-de-martelo /
e no anul do céu aberto escuro para morcego e coruja pia /
que vasculha e bisbilhota a calada escura sem escusa /
- sou a substância do tempo /
e mesmo a gosma nojenta que move o espaço no caramujo /
porquanto espaço é porção do tempo deslocada /
movida como a areia que o vento toca /
- e toca viola, ó violeiro bom! /
Sou Robinson Crusoé e o mundo é minha ilha /
sendo o mundo o corpo que me circunda /
e o tanto de água para mar que sou /
em meu estado físico da matéria /
( expressão estúpida e científica, pomposa.
A estupidez científica é menos estúpida? /
ou menos estupidez ?! ) /
Se eu começasse um diário hoje ( amanhã?) /
tipo Anne Frank /,
o diário de Anne Frank, /
escreveria sobre a guerra /
tal qual Anne Frank escreveu /
sempre sobre a maldita guerra /
cavaleiro da peste e da fome /
cavaleiro negro da desgraça /
- a guerra é o demônio solto a cavalo /
galopando no mundo /
predador pronto e apto máxime para matar /
ferir com peste negra e fome amarela /
sobre o cavalo amarelo /
que galopa fosco no lusco-fusco /
até destruir o caminho do trigo /
até apagar as marcas dos pés do milho /
até apagar o fosco do amarelo no sol /
apagar o espectro amarelo nos pés descalços do trigo /
que anda até o pão /
este andarilho de longa peregrinação /
que é o trigo e o milho em bonecas com bastas cabeleiras /
para brincar de vida com as meninas /
( porque estamos em tempo de guerras /
quando todos os diabos estão no tempo /
como motor do mundo /
que gira sob seus pistões /
e, entretanto, teimam em dar o prêmio da paz para o promotor da guerra /
o senhor do conflito bélico /
onde pousa a águia peregrina /
e o falcão peregrino /
a fim de inviabilizar a percepção da guerra /
e desviar as ondas senoidais /
para a semiologia de guerra , sem paz, /
que comunica os horrores de um campo de concentração /
e um genocídio pretérito /
( holocausto é vocábulo mais caro ao desgosto dos irmãos judeus, ó
Kafka, Kiekiegaard! /
no abstracto aberto a todo pano
ao veleiro da imaginação no vento que sopra o deus Eolo da Grécia /
antiga, fazendo o presidente do império atual parecer a paz da paz, /
que a grei católica gosta de ver como o consolador Espírito Santo, /
um estado da alma mitificada /
ou mística na rosa e na cruz /
ambas pelo mar escarlate do sangue /
grego judeu romano celta vândalo godo visigodo /
engodo é que não é )./
Sou Robinson Crusoé numa ilha do pacífico,/
talvez atlântico, ou atlante, /
e mal grado a solidão monástica, estou em guerra, /
apesar da solitude de longa terra para um povo de pés no Rio Pó, /
paradoxalmente, estou sem paz, ainda à sombra das pombas /
porquanto não me deixo em paz à sombra dos caminhos /
que descaminham antípodas /
e fogem dos chinelos
das sandálias franciscanas ou havaianas
ou dos pés descalços das carmelitas descalças /
nos caminhos incansáveis e longos nas areias para os pés exaustos dos
pacificadores /
marcas nas areias velhas das ampulhetas /
que olham com cintilação das estrelas /
lá de cima da Nebulosa do Relógio de Areia. /
Sou Robinson Crusoé /
não obstante se eu fosse escrever um diário /
não seria como o de Anne Frank, /
embora ela descrevesse os horrores da guerra /
e eu saiba desses horrores dos homens no "front" cotidiano, /
da batalha perdida quotidianamente para o maldade humana /
Não falaria de mim /
( e estaria, inobstante, escrevendo sobre mim, uma auto biografia, /
ou quiçá "Memórias de um cínico com gosto de Menipéia" /
pois mesmo falando de objetos e de outros seres humanos, /
estou a falar de mim por meio desse reflexo do meu ego /
ou subjetividade ( objecto subjacente é o pensamento ) /
no que observo e ponho como objeto do meu logos não
grego, /
da lógica, Farol de Alexandria metafórico e real /
na simultaneidade que é o pensamento, /
ser no qual não se separa o tempo do espaço, /
conquanto nas palavras que traduzem o pensamento /
venha a abstracção, que não entra na intimidade do pensamento, /
o ser que nos põe no mundo enquanto seres pensantes /
e não apenas perceptivos e ativos pelo corpo. /
Agimos também e principalmente, e antes do tempo, pelo pensamento), /
falaria da minha idéia que perpassa, una, coerente, /
a tudo o que faço de objecto./
( Ah! a propósito! ( cruel propósito) : adoro os textos da
Menipéia...mande-mos mais /
ó monólogo em forma de leitor /
que me lê ou não /
ou que me leio enquanto escrevo e o pós-escrito /
pois eles ( os textos ) estão no plasma social, econômico, político,
axiológico, /
dentre outros universos correlatos /
( e todos os universos, no caso, são universos bolhas, /
paralelos, alelos, tais quais genes, /
processados no "sabat" ( "sabá") judaico e grego, /
os quais são alguns dos símbolos e arquétipos /
fundantes e constitutivos da mente humana, /
templo da ociosidade perpétua ) /
Eu sou Robinson Crusoé /
e tenho um modo de pensar e ler /
uma tese ( território ) no mundo /
e toda uma economia e um mercado negro /
não existiriam sem mim /
e seriam afectados por um ato hipotético, /
da minha inexistência real ou ficta /
social e individual /
pois se sou Robinson Crusoé /
devido à minha auto-consciência /
outrossim minha consciência me diz e assinala /
outros Robisons Crusoés no mundo /
captados pelos meus sentidos /
e também mensura a realidade e irrealidade /
da ficção que sou passando pelo caminho da natureza /
da física que me circunda e penetra o corpo /
ainda na mente com a dopamina e as endorfinas /
( porquanto a ficção tem existência mas não vida /
é real no ser que o pensamento faz com a imaginação e o significado /
e irreal em natureza física ) /
que, todavia, pode se tornar real /
ao nascer o "ovo" que encete o contexto ou teia /
que faça existir outro modo de pensar e ler /
o mundo social e, consequentemente, transcrevê-lo para o direito,/
ou seja, normalizá-lo, porquanto muito do que existe no mercado negro,/
ou é produto ou mercadoria do supramencionado mercado,/
se deslocaria para o mercado livre /
( não o do site homônimo, claro),/
mas para o mercado ordinário, /
livre ou regulamentado em lei, quando fosse o caso /
e se fosse, quando fosse. /
Sou Robinson Crusoé /
enquanto idéia e ideal /
com uma ideologia política /
ou céptico e mesmo cínico /
crítico sarcástico e incréu /
( As ideologias são complexos à parte, /
inclusive à parte do mundo real, da realidade, /
pois, obviamente, são idealidades, /
mas, concomitantemente, são mais que idealidades e realidades, /
são seres, entes mentais da espécie das Quimeras, centauros, /
entes cujos existência é meio real e meio ficta,/
corpos de dubiedades, /
se pudermos usar essa expressão ambígua /
para tentar exprimir essa ambiguidade lógica, real e imaginária /
ao mesmo tempo e no mesmo espaço mental e social ) /
assim como ferindo interesses de vários grupos poderosos /
que desejam que tudo continue /
como dantes sem quartel de Abrantes.) /
Sozinho no mundo /
sou Robinson Crusoé entre ilhas Maldivas /
usufruindo de plena solitude /
de quem está no campeonato de moto velocidade /
( motovelocidade é Valentino Rossi /
ninguém mais que Valentino Rossi ) /
com um adversário há mais de 20 segundo atrás /
e o outro 25 segundos à frente /
sem importar as posições do solitário em pista /
- piloto em solitude no autódromo /
e solidão na alma que acelera a Yamaha /
ganhando força no motor Otto /
ciclo Otto do motor /
roncando no torque da motocicleta /
do doutor Valentino Rossi /
um ilustre e típico representante da ordem da cavalaria medieval /
( cavaleiros de Malta e templários e hispitalários /
e um cavaleiro de triste figura escanchado desdenhosamente sobre um
rocim fraco /
na aventura quotidia na sob o põe das auroras em forma de rocio /
- claro rocio que gurada a imagem da lua amarela e recordata no papel /
de lua minguante ou quarto crescente /
ou novilúnio ou plenilúnio quando álacre e sorridente no céu negro ) /
- cavaleiro negro foragido de um Apocalipse escrito em rolos de pergaminho /
sob o capacete (antigo elmo do ambulante Dom Quixote de la Mancha ) /
e balaclava dentre outros adereços bélicos /
reminiscência de fato historial /
talhado no pó da armadura do cavaleiro templário medievo /
ainda em pé depois da vasta história e batalhas /
escritas com o sangue no fio da espada /
do monge e guerreiro na cruzada santa /
senhor da guerra do deus Marte /
e da paz do Jesus Cristo clerical medieval /
Cavalgando entre as ruínas da solidão /
ao ruído estridente(?) do motor Otto /
( lá vai o douto Valentino Rossi!) /
longe latitudes e longitudes das pradarias verdejantes /
mas dentro da minha alma na campina /
onde gorjeia o galo-da-campina ( Paroaria dominicana ) /
tribo de ave passariforme cuja família é a Fringilliidae /
na verdade é uma clade da família Passeridae ) /
fico eu cismando e cavando na flor do imaginário /
um espaço amarelo outro azul /
consoante faz a flor com suas pás com substância tiradas ao espectro da luz /
que desce lá do vôo peregrino da arara azul /
para a floração que cultiva o anil sobre o espaço incolor /
assim como fazem as flores com um ancinho /
pás e picaretas da matéria ondulatória da luz /
com as quais cavocam um espaço amarelo ou azul trombeta /
um pouco acima do solo /
cavado em anil meio-pedaço de céu /
ou o amarelo tomado às tintas das borboletas /
adejando na parte do espaço incolor /
movidas pelo tempo /
que não passa de um pedaço ou favo do espaço /
que ganhou energia com um movimento /
um moto remoto ignoto /
da equação algébrica descrevendo o primeiro motor /
ou primeiro movimento /
com motivo em flor anil /
ou amarelo primaveril /
cavando o espaço branco com duas pás do arco-íris /
iris dos olhos adentro /
ladeados no espaço branco do olho /
que cava a cor amarela e anil /
e o movimento no espaço em deslocamento /
que os algebristas chamam tempo ou função na equação literal /
Em solitude no cosmos imenso /
aberto em céus e espaço sideral /
fico assustado quando vejo /
um fantasma entrar /
ou passar rápido pelos meus olhos errantes na esteira de poeira da luz /
( seria um avantesma ou outro ego /
do outro lado deste mundo em que estou /
cravado como pedra no meu ego /
ou o que quer que seja minha subjectividade /
se a há de fato ) /
Sozinho no universo /
olho estrelas esparsas na noite /
e a estrela do dia /
no amarelo do sol em lápis de cor de Juan Miró /
( ai! que me lembro da infância das crianças que amei /
amor hoje assentado no pó do tempo /
que passou na velocidade do motor em equação de calor /
se não fosse o bebê que levo ao colo /
para o amor levantar do pó /
alegrar as ervas floridas no âmago do espaço amarelo ou anil da flor /
que colheu um pouco do céu e da mariposa ) /
ou quiçá de Wassyli Kandinsky /
da santa terra negra da Rússia de floresta negra /
bosque de bétulas /
tundras e mujiques cossacos /
homens do barro da terra de Chagall /
senhor e rei da aldeia russa /
Só na terra /
sei que sou monge /
poeta médico sábio erudito cientista músico artista /
guerreiro empresário imperador romano /
filósofo sou eu /
e mais ninguém /
pois não tem ninguém /
senão fora de mim /
e de quem eu preciso cuidar /
amar profundamente /
para que a ponte da alteridade /
seja construída /
em lugar do que era esquizofrenia /
autismo e psicopatia /
paranóia com megalomania /
Mas sou Robinson Crusoe na ilha /
- insulado no corpo /
e na minha mente /
capaz de absorver o infinito /
e o tempo pelo conceito-esperança da eternidade /
bem como o todo mergulhar no nada /
um mergulhão algo ao modo do Martim-pescador ou dos atobás brancos /
porém incapaz de singrar os sete mares de solidão /
que não acham porto seguro sequer na solitude /
nem tampouco na alteridade /
que se esforça com todo o amor /
com a paixão que toma o ar /
com odores corporais de fêmeas florais /
( imaginai as vaginais!) /
Em solitude no mundo /
somos Robinson Crusoe /
frente às gigantescas instituições /
as megalíticas fundações /
com a mole do edifício voltado contra o ser do homem /
escrito nos hieróglifos da solidão da pedra brutal /
ignorando o homem /
assim como o fazem as leis e estatutos das fundações /
associações, sociedades e outros monstros /
do novo eterno mito /
que põe as instituições como titãs heróicas /
e o indivíduo como uma pobre formiga ou barata-Kafka /
a ser esmagada sem piedade /
sob os pés do colosso de Rhodes /
Sou Robinson crusoe insulado da ilha sul /
usurpado do poder sobre mim /
conquanto jogado na solitude /
duma masmorra de leis na torre do castelo /
com a máscara de ferro pesando sobre o rosto /
grilhões nas mãos e pés /
na umidade do ergástulo /
ou na cela do monge medievo /
arrostando sozinho contra e a favor de todas as regras /
da ordem dos monges negros /
os temíveis beneditinos da Inquisição espanhola /
de triste memória /
com enclave entre terras de lenda negra /
- terra na madeira dos navios-piratas /
bandeira negra da caveira a celebrar a morte alheia /
( a morte sempr é alheia /
algo alienado do ser vivo /
olhando par ao que irá animar a caveira desenhada na bandeira /
tremulando ao vento que sopra seu espírito de ar /
da boca de Deus a encher os pulmões /
- as duas árvores da vida plantadas no corpo humano /
separados pelo coração ) /
Sou Robinson Crusoe /
porque somente sinto o mundo como sinto /
tenho a inteligência do mundo como eu sou /
e sendo faço o ser /
- ser o que eu sou e vejo e faço /
( o ser é meu pensamento e percepções misturados /
na união do sentimento e razão /
Sou um monge medievo longe arrastado do tempo /
por um motor alocado no espaço /
( motor que é o próprio tempo /
sendo o tempo nada mais que uma parte do espaço /
que se movimenta e movendo-se vira tempo /
ou se desdobra na palavra tempo /
que o acolhe em conceito /
esse novo fato natural ) /
terça-feira, 14 de junho de 2011
SIGNO ( wikcionario wik dicionario wiki etimologia otto )
A chuva quando vem balançando a noite
vem de mariposa
em plano aéreo
para hemisfério
Vem, entra pela janela
ronda a luz do quarto
desfaz-se das asas translúcidas
e então chove
- lá fora!...
nos caminhos de cima e de baixo
com gotas em pára-quedas de trevas
- guardas-chuvas em queda
de arcanjo e serafim negro
- carvão de sol
quando vai ao arrebol
ao apagar da brasa
que ficou fora da fogueira
rastejante no lusco-fusco
no serpentear do arroio
e no silvo da víbora
símbolo e signo de vida silvestre
- vida natural
vem de mariposa
em plano aéreo
para hemisfério
Vem, entra pela janela
ronda a luz do quarto
desfaz-se das asas translúcidas
e então chove
- lá fora!...
nos caminhos de cima e de baixo
com gotas em pára-quedas de trevas
- guardas-chuvas em queda
de arcanjo e serafim negro
- carvão de sol
quando vai ao arrebol
ao apagar da brasa
que ficou fora da fogueira
rastejante no lusco-fusco
no serpentear do arroio
e no silvo da víbora
símbolo e signo de vida silvestre
- vida natural
ENCALHADO ( wikcionario wik dicionario wiki etimologia otto )
O tempo do homem
não é tempo natural
motor de mutação em natureza sempre-viva
em flora e abelha
no arroio de mel
depositados nas colméias
quando o sol embarca nas águas da ribeira
um brigue de mel
suscitado do embate da luz
com a água na corredeira
levando a canoa junto ao levante
ou à tarde tardia
ao olvido do lusco-fusco
que vinca a lâmina d'água
com as mãos de aragem sutil
a esculpir um Narciso em decrepitude
infenso ao suicídio passional
O tempo do homem
é algo que está enredado no retrato
nas redes que o retrato capta
num instante de luz e trevas
- luz vincando trevas
por todos os lados
pois tudo é quase treva
negro cavaleiro e penas de anum
madrugada fora
- calada madrugada!
onde não se escuta um filete de voz de galo...
nem o ruído do lápis a riscar o orvalho
( "Risque-risque" é a onomatopéia
na ponta do grafite do lápis riscando
no empuxo da mão imprimindo os contornos
também para nanquim
da China do mandarim )
O tempo do homem é algo que não está no tempo!
mas em algumas invenções do homem
as quais retratam a época
arquitecta uma era na catedral medieval
ou na teologia medieval
tão abstrusa e refinada
eivada de anfibologias
batendo o martelo para as bruxas
a se imiscuir com Íncubos e Súcubos
a fim de dar uma razão plausível
aos processos da inquisição espanhola
a inventar hereges
e perpetrar torturas heréticas e abomináveis...
- e toda a adjetivação para o anelo do homem
de destruir outros seres humanos
e aplacar sua demência atávica
sua megalomania renitente
que a cada tempo assoma
com uma renovada face maquiavélica
( Esse o único diabo de fato
que se imiscui nas leis
depois de engendrar no homem e na mulher
um descendente Íncubo e outro Súcubo
com o desiderato de procriar uma dinastia
longânime no tempo fotografado
onde a fotografia afia o olho do demônio zombeteiro
a olhar do fundo do sarcasmo
para o legado da miséria
que é o ser humano
enredada na luz para fenecer
drasticamente enfronhar-se na trama social-cultural
deixar-se levar pela ilusão edulcorante
que essa comédia põe em afresco de Giotto, Fra Angelico...
e por fim ser objecto de tragédia grega
com a morte o fantasma e a caveira em Hamlet
obra da esquizofrenia funda de Shakespeare
bardo de triste sina
como todos nós nos responsos do sino
a repicar para anunciar a presença do anjo da morte
- cuja presença é incontinenti
porquanto está no substrato da matéria e da energia
no corpo em mutação
e na alma sem salvação escatológica
Não há salvação na escatologia )
O homem é de um tempo....
que extrapola o tempo
em todas as Eras geológicas
Vive revestido pela túnica de um tempo
em que o retrato desenhou a luz
sobre as trevas com fuzis "incoerentes"
na grande noite no espaço sem luz
ou sem luciferação de pirilampo
de vagalume errabundo
em noite de trevas para lobos e gotas de chuva
a dedilhar o piano do rocio
que cai madrugada a fio
alimentada no pavio
da vela que molha o quarto de luz
aonde vão as mariposas
depois do vôo de piloto
sobre o deserto noturno
com dunas em azeviche pintadas
ou no piche da madrugada
que sobeja na voz do galo
cândido cantor de Voltaire
O tempo do homem está no retrato
que mostra as teias do tempo
nas invenções de época
na mobília ou no vestuário
no pensamento ou no modo de agir e amar
nos filmes e nos cantos...
nos amores que erraram
por vinhedos a vagar no lagar
O tempo do ser humano
prescreve todos os retratos
que estão dentro do retrato
e contam com luz e trevas
a história do homem
sob o mastro e a mesena
nas caravelas e no dilúvio
na catedral gótica
na fotografia do automóvel antigo
envolto no amplexo de enamorados
de outras décadas
escritas pela cor no retrato
e no papel que captou o instantâneo do amor
incomensurável nas vestes de época
no penteado dela
nos brincos e outras jóias
na pose da enamorada da vida
e no sorriso de então
que era outro sorriso
a fundar outro tempo
e outra paixão no tempo
que nunca se esvai ou exaure
nos adereços da mulher
ou da criança que veio ao lume
e tomou todo o espaço temporal
ajuntando o pó do tempo
na teia de aranha do seu corpo franzino
perenemente amado
mesmo quando os olhos
mexem a miscelânea de outro tempo
no aglomerado estelar das Plêiades
- As Plêiades : Objeto Messier 45
O retrato pálido, lívido, "levedado"
mascarado de tempo
estagnado na poça de luz e da matéria escura que o segura
baila no "carnaval do arlequim" de priscas eras
moldando no pó de suas histórias submersas sob camadas de várias histórias
verdadeiras arqueologias do conhecimento e do saber
que Michel Foucault tanto queria desvelar...
mas enlouqueceu antes do dilúculo!...
e ficou no retrato do homem
na imobilidade pétrea
do último tempo à luz
- no derradeiro debuxo de luz
torrente de mel para geometria de alma
sempre penada em noite de anum
com suas penas pesadas de trevas
segundo o Livro dos Mortos egípcios
de onde nos olha uma felicidade lúdica
no olho da criança querida
e nos envolvem o cálido amplexo da mulher amada
no tempo do amor
que a fotografia registrou
e jamais pode olvidar
à luz solar
num solar com solo para andorinhas pardas
caindo na tarde
com abóbada escarlate a refulgir gloriosa
demonstrando que a vida fica
ainda que seja num retrato
encalhado nas águas correntes ou lacustres do tempo
- do tempo no retrato!
que é toda a eternidade dada ao homem
ainda que em tatibitate...
não é tempo natural
motor de mutação em natureza sempre-viva
em flora e abelha
no arroio de mel
depositados nas colméias
quando o sol embarca nas águas da ribeira
um brigue de mel
suscitado do embate da luz
com a água na corredeira
levando a canoa junto ao levante
ou à tarde tardia
ao olvido do lusco-fusco
que vinca a lâmina d'água
com as mãos de aragem sutil
a esculpir um Narciso em decrepitude
infenso ao suicídio passional
O tempo do homem
é algo que está enredado no retrato
nas redes que o retrato capta
num instante de luz e trevas
- luz vincando trevas
por todos os lados
pois tudo é quase treva
negro cavaleiro e penas de anum
madrugada fora
- calada madrugada!
onde não se escuta um filete de voz de galo...
nem o ruído do lápis a riscar o orvalho
( "Risque-risque" é a onomatopéia
na ponta do grafite do lápis riscando
no empuxo da mão imprimindo os contornos
também para nanquim
da China do mandarim )
O tempo do homem é algo que não está no tempo!
mas em algumas invenções do homem
as quais retratam a época
arquitecta uma era na catedral medieval
ou na teologia medieval
tão abstrusa e refinada
eivada de anfibologias
batendo o martelo para as bruxas
a se imiscuir com Íncubos e Súcubos
a fim de dar uma razão plausível
aos processos da inquisição espanhola
a inventar hereges
e perpetrar torturas heréticas e abomináveis...
- e toda a adjetivação para o anelo do homem
de destruir outros seres humanos
e aplacar sua demência atávica
sua megalomania renitente
que a cada tempo assoma
com uma renovada face maquiavélica
( Esse o único diabo de fato
que se imiscui nas leis
depois de engendrar no homem e na mulher
um descendente Íncubo e outro Súcubo
com o desiderato de procriar uma dinastia
longânime no tempo fotografado
onde a fotografia afia o olho do demônio zombeteiro
a olhar do fundo do sarcasmo
para o legado da miséria
que é o ser humano
enredada na luz para fenecer
drasticamente enfronhar-se na trama social-cultural
deixar-se levar pela ilusão edulcorante
que essa comédia põe em afresco de Giotto, Fra Angelico...
e por fim ser objecto de tragédia grega
com a morte o fantasma e a caveira em Hamlet
obra da esquizofrenia funda de Shakespeare
bardo de triste sina
como todos nós nos responsos do sino
a repicar para anunciar a presença do anjo da morte
- cuja presença é incontinenti
porquanto está no substrato da matéria e da energia
no corpo em mutação
e na alma sem salvação escatológica
Não há salvação na escatologia )
O homem é de um tempo....
que extrapola o tempo
em todas as Eras geológicas
Vive revestido pela túnica de um tempo
em que o retrato desenhou a luz
sobre as trevas com fuzis "incoerentes"
na grande noite no espaço sem luz
ou sem luciferação de pirilampo
de vagalume errabundo
em noite de trevas para lobos e gotas de chuva
a dedilhar o piano do rocio
que cai madrugada a fio
alimentada no pavio
da vela que molha o quarto de luz
aonde vão as mariposas
depois do vôo de piloto
sobre o deserto noturno
com dunas em azeviche pintadas
ou no piche da madrugada
que sobeja na voz do galo
cândido cantor de Voltaire
O tempo do homem está no retrato
que mostra as teias do tempo
nas invenções de época
na mobília ou no vestuário
no pensamento ou no modo de agir e amar
nos filmes e nos cantos...
nos amores que erraram
por vinhedos a vagar no lagar
O tempo do ser humano
prescreve todos os retratos
que estão dentro do retrato
e contam com luz e trevas
a história do homem
sob o mastro e a mesena
nas caravelas e no dilúvio
na catedral gótica
na fotografia do automóvel antigo
envolto no amplexo de enamorados
de outras décadas
escritas pela cor no retrato
e no papel que captou o instantâneo do amor
incomensurável nas vestes de época
no penteado dela
nos brincos e outras jóias
na pose da enamorada da vida
e no sorriso de então
que era outro sorriso
a fundar outro tempo
e outra paixão no tempo
que nunca se esvai ou exaure
nos adereços da mulher
ou da criança que veio ao lume
e tomou todo o espaço temporal
ajuntando o pó do tempo
na teia de aranha do seu corpo franzino
perenemente amado
mesmo quando os olhos
mexem a miscelânea de outro tempo
no aglomerado estelar das Plêiades
- As Plêiades : Objeto Messier 45
O retrato pálido, lívido, "levedado"
mascarado de tempo
estagnado na poça de luz e da matéria escura que o segura
baila no "carnaval do arlequim" de priscas eras
moldando no pó de suas histórias submersas sob camadas de várias histórias
verdadeiras arqueologias do conhecimento e do saber
que Michel Foucault tanto queria desvelar...
mas enlouqueceu antes do dilúculo!...
e ficou no retrato do homem
na imobilidade pétrea
do último tempo à luz
- no derradeiro debuxo de luz
torrente de mel para geometria de alma
sempre penada em noite de anum
com suas penas pesadas de trevas
segundo o Livro dos Mortos egípcios
de onde nos olha uma felicidade lúdica
no olho da criança querida
e nos envolvem o cálido amplexo da mulher amada
no tempo do amor
que a fotografia registrou
e jamais pode olvidar
à luz solar
num solar com solo para andorinhas pardas
caindo na tarde
com abóbada escarlate a refulgir gloriosa
demonstrando que a vida fica
ainda que seja num retrato
encalhado nas águas correntes ou lacustres do tempo
- do tempo no retrato!
que é toda a eternidade dada ao homem
ainda que em tatibitate...
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