terça-feira, 9 de dezembro de 2008

PROFUNDIDADE

Quase ninguém sabe nada em profundidade, quer seja o médico, o advogado, o juiz de Direito, etc. Raros os que passam do raso e conseguem navegar em águas profundas. A maioria é analfabeta em profundidade. Apenas se contenta a catar palavras nos dicionários com seus significados pífios, cuja origem e psicologia e história da palavra eles não sabem.
O saber profundo é tão raro que os autores profundos e sábios não fazem sucesso, pois não estão ao alcance mental da maioria e, por isso, são odiados por essa maioria tola, que não pode ler o autor profundo. Mas o que é o saber profundo?
O saber profundo é o saber plenamente sobre o funcionamento e anatomia do próprio corpo e da natureza, bem como das formas e funções do pensamento, a língua e as várias linguagens, que vão da semiologia às artes plásticas e poéticas; ou seja, é um saber que envolve todo o conhecimento físico (natural), social ( político, econômico, espiritual ou religioso, cultural, etc) e o saber metafísico (as ciências, a filosofia, as artes, a semiótica, a simbologia, a ontologia, epistemologia, a antropologia, as ciências exatas e humanas).
Para chegar a essa profundidade estonteante é mister que o sábio seja a um tempo poeta, filósofo, cientista , ser possuidor de uma sensibilidade rara, erudição geral e cultivar essa sabedoria desde tenra idade até a última idade em que estiver vivo e saudável.
O homem profundo tem o poder de usufruir do mundo natural, social e psíquico de uma maneira infinitamente mais rica que o homem comum, porquanto desenvolve sua sensibilidade lendo e escrevendo poesia, convivendo e estudando obras de arte, bem como todas as ciências humanas, exatas e naturais, além do mais sua ética, no sentido filosófico, de estar-no-mundo, por-se-no-mundo, colocar-se no mundo politicamente, praticamente, ecologicamente, realmente, etc., na prática e teoria : coerência.
O sábio se caracteriza por coerência e justiça : o caráter é fundamental para se construir um homem sábio e profundo. Um ser inteligente não pode ser mau caráter, nem que o queira. O príncipe ( o político), ao contrário, tem que ser mau caráter para sobreviver, pois tem sob seu comando o povo, ou seja, o que há de pior e mais comum como ser humano. As pessoas comuns do povo são sempre crianças ( criança em geral é mau caráter), são adultos infantilizados, de cultura insuficiente para pensar, ler ou escrever. Têm insuficiência mental, intelectual.
" O Príncipe " é uma obra que consta essa realidade do político, do líder do povo, embora hoje os líderes do mundo não sejam mais os políticos, mas o capitalistas, porquanto a fortuna é inseparável do poder de comandar. Hoje os políticos comandam o povo enquanto os donos das grandes corporações mandam nos políticos. o príncipe no capitalismo é o dono do capital, cujos lacaios são os políticos e todos os que os servem profissionalmente.
Para se pensar com profundidade é mister que a sensibilidade esteja treinada na alta poesia, a razão na filosofia mais abstrata e abstrusa, conhecer com profundidade as ciências e a natureza ( que é a ciência prática dada à sensibilidade e ao raciocínio durante a vida ) e a vida dessa personagem humana ( o sábio) seja coerente com sua idéia, sustentada em teorias. somente um homem que leu os poetas, aprendeu a ler em outros idiomas, viveu as dores do mundo, conheceu a pobreza e a riqueza, a saúde e a doença, o amor e o escárnio, leu muitos dos dos mais excelsos poetas ( ler no sentido de entender, comungar, perceber, vivenciar a poesia do poeta e depois criar sua própria e original poesia ), que estudou os grandes filósofos em mais de uma língua, que estudou profundamente toda a filosofia até criar a própria filosofia, bem como todos os sábios da ciência em sua origem ao ponto de conceber sua própria ciência dada na observação sábia da natureza, somente quem cultivou toda essa tecnologia do saber dentro de si , durante muitos anos, é que pode ser sábios, conquanto isso não seja nenhuma garantia, pois a sabedoria depende da inteligência e da genialidade, fatores que são~genéticos nem adquiridos : a inteligência, o gênio é um mistério, quiçá insondável.
Os autores mais lidos afagam o ego do tolo por semelhança, ao contrário do sábio profundo que incomoda, porquanto sua sabedoria e profundidade somente é leitura para seus pares.
Não obstante, são os sábios profundos que fazem a ciência, a tecnologia, a filosofia, a poesia de alto nível.
Profundidade é o conhecimento desde as raízes até o prognóstico do futuro, o saber sobre a natureza, o ser humano, a sociedade e a cultura. A maioria absoluta não tem fôlego para essa profundidade em nada.
O vulgo, quando consegue ler os signos e compreender minimamente os significados, já atingiu seu apogeu. Nunca entenderão nem sentirão necessidade de filosofia, ciência ou poesia. Sua vida mental é pautada por músicas piegas, futilidades cotidianas, necessidades econômicas, fisiológicas e sociais.
O homem comum é estúpido, não se sabe o porquê; a estupidez é um mistério. Esse ser comum, encontrado em toda parte, na miséria e na riqueza, na elite ou na escória, enfim, entre os analfabetos e entre os intelectuais, não cabe num conceito. Vivem a vida vegetal (animal) de bicho falante : animal em fábulas : A Raposa e as Uvas; a Cigarra e a Formiga, as fábulas de Esopo, La Fontaine, etc.